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Sociedade

Sergio Lirio

Livro

06.12.2010 16:46

No coração da máfia

No coração da máfia

Em coletânea lançada na próxima segunda-feira, Maierovitch vê clãs horizontalizados nos morros

Em coletânea Maierovitch vê clãs horizontalizados nos morros

Juiz independente e firme durante a carreira, Wálter Fanganiello Maierovitch não abandonou a lida após deixar os tribunais. Tornou-se estudioso do crime organizado, do terrorismo e de suas manifestações e ramificações ao redor do planeta, principalmente na Itália e no Brasil. Suas relações internacionais permitiram, por exemplo, que fosse um dos primeiros a descrever as intenções de um até então desconhecido Osama bin Laden, em artigo profético publicado em CartaCapital poucos meses antes dos atentados de 11 de setembro de 2001.

A disposição intransigente e corajosa de denunciar e explicar o funcionamento dessas organizações, e de seus protagonistas, rendeu muitos desafetos e dores de cabeça ao magistrado, colunista desta revista desde 2000. Igualmente, rendeu-lhe reconhecimento dentro e fora do País. No ano passado, Maierovitch foi o único estrangeiro a publicar artigo em uma coletânea com os maiores especialistas italianos em crime organizado. Sua assinatura figura ao lado de Gian Carlo Caselli, procurador da República de Turim, um mito da magistratura da Itália por ter atuado tanto nos casos de crimes do terrorismo dos anos 70 quanto no combate à máfia nas décadas seguintes. E de Alessandra Dino, professora-adjunta de Sociologia Jurídica na Universidade de Palermo e uma das maiores especialistas no assunto. Diretor do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone (célebre procurador da Operação Mãos Limpas assassinado por mafiosos), Maierovitch dá um toque verde-amarelo ao conjunto das reflexões do livro, resultado de um ciclo
de palestras na Itália.

A versão brasileira da coletânea, publicada pela editora da Unesp e lançada na segunda-feira 6, tem o título Novas Tendências da Criminalidade Transnacional Mafiosa. Em seu artigo, Maierovitch, que também assina o prefácio da edição em português, traça um paralelo entre as máfias italianas e o tráfico nas favelas cariocas. Anota o magistrado, de forma bastante atual: “Nos morros do Rio de Janeiro agem organizações de cunho mafioso. São compostas de clãs fortemente armados que controlam o tráfico de drogas e que são horizontalizados, como a Camorra”.

Mais uma vez, Maierovitch encarna de maneira absoluta o espírito de um tradicional slogan de CartaCapital: “Leia antes que aconteça”.

O lançamento acontece no dia 6 de dezembro, às 20 horas, no Iate Clube de Santos, em São Paulo.

Novas Tendências da Criminalidade Transnacional Mafiosa
Organizadores: Wálter Maierovitch e Alessandra Dino
Editora Unesp, 318 págs., R$45

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Sua opinião

  1. walter fanganiello maierovitch disse:
    Preazado Luís de Paula. A Camorra, como já escrevi nas colunas, livros e neste site, é composta por facções independentes ( ao contrário, a Cosa Nostra por "famiglie" vinculadas a um órgão de vértice, cúpula). Essas facções, quando atacam o EStado, reunem-se em confederação criminal. Abraço e já avisei o site que confundiram a Cosa Nostra (verticalizada) com a Camorra (horizontalizada). Wálter Fanganiello Maierovitch
  2. vilson cadore disse:
    Realmente teríamos um belo ministro!
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