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Choramos por Neymar

por Fabio Chiorino* — publicado 04/07/2014 21h39, última modificação 04/07/2014 23h30
O Brasil perdeu seu principal jogador na Copa do Mundo. É uma espécie de Maracanazo individual. Por Fabio Chiorino, do blog Esporte Fino
Fabrizio Bensch / AFP
Neymar

Neymar sai de maca do gramado do Castelão, em Fortaleza, após a joelhada de Zuñiga no jogo contra a Colômbia

Passamos a última semana discutindo sobre o equilíbrio emocional da Seleção brasileira. Em campo, os jogadores mostraram que o abalo contra o Chile ficou para trás. O Brasil fez a sua melhor partida na Copa do Mundo, diminuindo a distância entre defesa e ataque e adiantando a marcação.

O 2 a 1 contra a Colômbia deveria ser apenas de comemoração. Mas quase no final da partida, um lance besta, no campo de defesa do Brasil. A joelhada do colombiano Zuñiga na vértebra de Neymar. O camisa 10 deitado no gramado. O único movimento provocado pelos soluços incontroláveis do jogador.

A fratura de Neymar é uma espécie de Maracanazo individualizado. Como vencer a Copa sem aquele garoto de 22 anos que assumiu a responsabilidade de carregar o time em busca da sexta estrela? Como furar agora a defesa da Alemanha sem aquele drible incontrolável? Neymar não foi brilhante em todos os jogos disputados até aqui, mas procurou ser. E isso é rapidamente percebido pelo torcedor, que despeja seus olhos e suas esperanças sobre ele.

Esperamos agora a terça-feira numa mistura de ansiedade e frustração. A festa estará preparada, mas o convidado principal não dará as caras. Há, claro, a sensação de que o time jogará por ele, mas, sem ele, conseguirá jogar? O histórico mostra que Felipão jamais abdicou de Neymar e sua unanimidade impediu até mesmo que se preparasse um substituto. Porque Neymar apanhava e levantava. Apanhava e levantava. Como um brinquedo de borracha castigado nas mãos de uma criança, mas que nunca perde o sorriso do rosto.

Ver Neymar deixar o Castelão aos prantos, carregado naquela maca mórbida da Fifa, foi impactante demais. A imagem aérea parece reforçar a intensidade de tragédia. Uma distância que separa Neymar da bola. O torcedor, do seu ídolo. O gênio, da Copa do Mundo. Impossível não se emocionar ainda mais, ao se deparar com as reações dos colegas. Como Fred, surpreendido ao vivo pelo repórter com a notícia. Perdeu a firmeza da voz. Gaguejou, olhos vermelhos pelas lágrimas que brotaram em segundos. Desmoronou.

Não nos cobrem equilíbrio emocional numa hora dessas. Nenhum psicólogo será capaz de uma palavra que disfarce a tristeza de perder Neymar na reta final da Copa do Mundo. Hoje, o Brasil venceu em campo e nenhum jogador chorou em campo. Choramos nós. Porque a expressiva vitória não evita a percepção de que perdemos algo único. Desmoronamos.

*Fabio Chiorino é integrante do Esporte Fino, blog parceiro de CartaCapital