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Sociedade

Crise hídrica

"Não adianta olhar para trás", diz Aldo Rebelo sobre crise hídrica

por Deutsche Welle publicado 01/03/2015 09h05
Ministro não quis apontar culpados pela crise hídrica no Sudeste. Para ele, projeto de monitoramento do sistema deverá garantir o fornecimento de água para os Jogos Olímpicos no Rio
Elza Fiúza/Agência Brasil
Aldo Rebelo

Em entrevista, o ministro da Ciência e Tecnologia disse que não é o momento de "olhar para trás"

À frente do ministério da Ciência e Tecnologia desde janeiro, Aldo Rebelo participou no sábado 28 do lançamento do Projeto de Monitoramento do Sistema Cantareira, uma força-tarefa para coletar informações e ajudar o governo na gestão da crise hídrica.

Ex-ministro do Esporte, Rebelo afirmou que o trabalho do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Nacionais (Cemaden), localizado em São José dos Campos/SP, vai ajudar a garantir o fornecimento de água durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

Em entrevista à DW Brasil, o ministro evitou apontar culpados pela crise hídrica no Sudeste. "Olhar para trás não vai resolver nada", disse. Mesmo diante do ajuste fiscal do governo, Rebelo garantiu que o centro de monitoramento de desastres não sofrerá com as medidas de austeridade colocadas em prática pelo governo federal.

Deutsche Welle: Dados apresentados pelos próprios cientistas do Cemaden indicam que a atual crise hídrica na região Sudeste já era previsível em 2013. O senhor não acha que o governo reagiu tarde demais para conter a situação?

Aldo Rebelo: A minha resposta não vai resolver o problema e não vai esclarecer muita coisa. Eu acho que precisamos adotar as providências que são necessárias. Se estiver faltando alguma coisa para ser feita no momento, nós iremos fazer.

Olhar para trás, para o que não foi feito antes, eu posso cometer uma injustiça. Eu quero olhar é se eu estou fazendo o que preciso fazer, se a minha responsabilidade está sendo cumprida e se esse governo está fazendo o que precisa fazer. E acho que construir o Cemaden é parte disso. Precisamos olhar para a sociedade, fazer essa pergunta e ver se é necessário fazer mais.

DW: Com o governo anunciando tantos cortes e ajustes fiscais, essa estrutura montada para prevenção de desastres pode sofrer com falta de dinheiro?

AR: Não. Eu garanto que não.

DW: Qual é o papel do Ministério de Ciência e Tecnologia na gestão da crise hídrica que ocorre principalmente na região Sudeste?

AR: O Ministério reúne uma série de instituições que organizam as informações e disponibilizam dados para que os outros órgãos de governo disponham dos recursos necessários para adotar providências e reduzir os danos, não apenas humanos, mas econômicos, nesses desastres.

DW: O Cemaden foi uma resposta às enchentes e desastres de 2011 que atingiram principalmente a região serrana do Rio de Janeiro. Desde 2013 temia-se a crise hídrica e só agora foi criado Monitoramento do Sistema da Cantareira. O Brasil ainda carece de uma cultura de prevenção?

AR: Creio que nós avançamos bastante e a construção do Cemaden é o testemunho do nosso esforço em ampliar os meios de prevenção dos desastres naturais no Brasil.

DW: O senhor é de Alagoas, na região Nordeste, que sofre historicamente com a seca. Lá os governos demoraram mais a chegar?

AR: A seca atinge o Nordeste desde quando a região é habitada. A literatura chegou antes dos governos e antes da ciência. No Nordeste, desde o século 19, os escritores têm como tema o sofrimento dessas famílias. Há pelo menos três romances, de épocas distintas, que retratam isso.

Os governos demoraram a chegar. Mas é preciso registrar também que nem tudo está sendo feito agora. Um grande açude do Nordeste, o Orós, foi uma obra para o enfrentamento da seca. Há outras obras já iniciadas ou em fase de finalização, como a transposição do rio São Francisco.