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Sociedade

São Paulo

Movimento contra aumento da tarifa de ônibus fecha av. Paulista

por Lucas Conejero — publicado 21/01/2011 09h49, última modificação 30/10/2011 22h48
Pela segunda vez, manifestantes protestam contra alta da passagem dos coletivos. Estudantes prometem fazer outra marcha no próximo dia 27, pedindo passe livre

No fim da tarde da última quinta-feira 20, estudantes paulistanos voltaram às ruas para protestar contra o recente reajuste na passagem dos coletivos da cidade de R$2,70 para R$3. A marcha, que segundo a Polícia Militar contou com mais de 3 mil pessoas, teve início na praça do Ciclista às 18h, percorreu toda a extensão da Avenida Paulista e terminou na praça Oswaldo Cruz por volta das 20h30. Não houve confronto entre policiais e manifestantes.

“O Movimento Passe Livre (MPL) acredita que o transporte não pode ser tratado como mercadoria. Ele é um direito essencial e não deveria sequer ter tarifa”, dizia o manifesto distribuído pelos militantes da organização.

Poucos minutos antes do início da marcha, André Zandonadi, primeiro tenente da Companhia Tático Móvel do 7º Batalhão e responsável pelo policiamento da manifestação, convidou a reportagem do site de CartaCapital e alguns representantes do MPL a acompanhar as instruções dadas à tropa.

O primeiro tenente foi questionado se houve excessos por parte dos policiais no ato do último dia 13. Se esquivou. “Não estava presente na manifestação. Não sei exatamente o que aconteceu”. Na ocasião, os estudantes foram violentamente reprimidos e muitos acabaram presos.

Diante de seus comandados, Zandonadi discursou: “estamos aqui para garantir a segurança dos cidadãos e dos manifestantes. Vamos evitar ao máximo qualquer tipo de confronto. Houve acordo com os líderes do movimento. Eles estão aqui e vão fechar parcialmente a Avenida Paulista no sentido Paraíso”.

Durante a passeata, o que se viu foi uma pequena multidão de secundaristas e alguns punks. Todos revoltados, poucos com disposição para um confronto. O bom humor, característica clássica do movimento estudantil, se fez presente o tempo todo. “Ei Kassab, vai pegar buzão”, cantava um grupo. “Dança Kassab, dança até o chão, aqui é o povo unido contra o aumento do buzão”, respondia outro.

Vestido de terno, gravata e tênis velho, um militante conhecido como “Legume” importunou o “intervalo para o cigarro no térreo” de todos os engravatados que encontrou pelo caminho. “Manifestação é coisa de moleque! O preço do ônibus aumentou? Melhor, se um dia eu precisar, só vai ter branquinho dentro. Quer saber? Que se exploda! Eu não pego ônibus mesmo! Moro nos Jardins”, dizia ele sob olhares fulminantes.

O saldo do protesto: de maneira pacífica, jovens brasileiros fizeram valer seu direito de manifestação e de opinião, garantido pela Constituição. “O ato de hoje faz parte de uma jornada de luta contra o aumento da tarifa. A ideia é realizar um ato por semana e pequenas mobilizações em pontos diferentes da cidade, principalmente na periferia, onde a população é mais afetada com os reajustes”, disse Mariana Toledo, porta-voz do MPL.

A próxima marcha está marcada para acontecer no dia 27/1, a concentração será  no Teatro Municipal às 17h.