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Ministério da Saúde amplia antirretroviral como estratégia de prevenção ao HIV

por Adital — publicado 08/10/2010 16h03, última modificação 08/10/2010 16h03
Para ter acesso aos medicamentos, a pessoa que manteve relações sexuais desprotegidas deve procurar o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) ou locais que já atendam situações de urgência

Por Karol Assunção *

O Ministério da Saúde divulgou, no início desta semana, mais um aliado na prevenção da Aids. Agora, quem tiver relações sexuais sem proteção com soropositivos ou com pessoas que integram grupos em que a prevalência do vírus é maior podem tomar antirretrovirais como forma de tratamento de urgência. Os medicamentos, entretanto, não excluem o uso do preservativo, método mais eficaz na prevenção ao HIV e demais Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
O procedimento já era utilizado como prevenção de urgência para vítimas de violência sexual e para profissionais da saúde em situação de risco. A ampliação para a população em geral foi dada a conhecer nesta semana pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais em um documento voltado para os profissionais da saúde.

Entretanto, a medida não vale para quem tem relações sexuais sem proteção com frequência. De acordo com o guia, para ter acesso aos medicamentos, a pessoa que manteve relações sexuais desprotegidas deve procurar o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) ou locais que já atendam situações de urgência (como em casos de violência sexual). Lá, os profissionais responsáveis analisarão o caso, conforme o recomendado no documento, para saber se a profilaxia será indicada.

Na avaliação, serão considerados, por exemplo, o tipo de exposição sexual e a prevalência presumida do HIV do segmento populacional a que pertence a parceria sexual da pessoa exposta. Para o documento, são considerados integrantes do grupo populacional de alta prevalência do HIV: gays e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo.

Vale lembrar que o método será eficaz apenas para aqueles que procurarem o Serviço em até 72 horas após a relação desprotegida. "A profilaxia antirretroviral deve ser iniciada, idealmente, nas primeiras duas horas ou no limite das 72 horas após a exposição", destaca o guia.

Wladimir Reis, coordenador do Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), considera importante o uso de outros métodos de prevenção à Aids. "É importante que novas estratégias de prevenção ao vírus HIV sejam utilizadas no Brasil", comenta. Entretanto, acredita que as informações devam ser repassadas não só aos profissionais da saúde, como também para organizações da sociedade civil.

"O Ministério da Saúde deve levar à linguagem da população esses serviços [apresentados no guia] e a cartilha deve ser encaminhada também para organizações sociais que trabalham com HIV e pessoas vulneráveis", demanda.

Além disso, tanto Ministério da Saúde quanto organizações sociais lembram que, mesmo com as novas estratégias de prevenção, não se pode deixar de lado o uso do preservativo durante a relação sexual. "A sociedade civil salienta a importância de se reforçar a utilização do preservativo masculino ou feminino como método 100% eficaz na prevenção ao HIV e outras DSTs, assim como também a uma gravidez indesejada", ressalta.

*Matéria originalmente publicada no Adital

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