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Médicos da "máfia de órgãos de Poços de Caldas" são condenados

por Redação — publicado 08/02/2014 20h44
Eles foram considerados culpados por forjar a morte encefálica de garoto de dez anos que caiu de brinquedo do prédio para comercializar seus órgãos

O juiz da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, condenou na sexta-feira 7 três médicos acusados de vendar órgãos e tecidos humanos na cidade de Poços de Caldas, no interior de Minas Gerais.

O magistrado entendeu que os médicos Celso Roberto Fransson Scafi, Cláudio Rogério Carneiro Fernandes e Sérgio Poli Gaspar são culpados pela morte, em abril de 2000, de Paulo Veronesi Pavesi, então com dez anos.

Na época, o garoto foi atendido pelos médicos na Santa Casa de Poços de Caldas após cair de um brinquedo do prédio onde morava. Ele passou por procedimentos inadequados e teve os seus órgãos removidos quando ainda estava vivo. O transplante foi autorizado por meio de um diagnóstico forjado de morte encefálica.

Eles foram condenados, respectivamente, a 14 anos, 18 anos e 17 anos de prisão em regime fechado. Cabe recurso.

O caso foi noticiado por CartaCapital em abril de 2013. A reportagem, assinada por Leandro Fortes, contou como o analista de sistemas Paulo Pavesi, pai da vítima, moveu uma luta sozinho contra a impunidade dos médicos que assassinaram seu filho. (Leia clicando AQUI) A batalha, mostrou a reportagem, foi movida a partir de Londres, par onde se mudou após conseguir asilo humanitário na Itália, em 2008.

O juiz de Poços de Caldas decretou a prisão preventiva imediata deles. Monteiro de Castro considerou que a liberdade dos médicos poderia prejudicar a tramitação processual deste e de outros processos e inquéritos ainda em andamento.