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Remédios caros e os genéricos

por Paulo Yokota — publicado 22/09/2014 09h54
A partir de uma inicial e natural desconfiança ao uso de medicamentos genéricos no Brasil hoje se constata a disseminação do seu consumo

A partir de uma inicial e natural desconfiança ao uso de medicamentos genéricos no Brasil hoje se constata a disseminação do seu consumo, tendo como base os mesmos princípios ativos dos medicamentos consagrados, sem o uso das marcas em que seus produtores investiram de forma pesada ao longo do tempo. A diferença dos preços e a constatação de que não havia mudanças na eficiência, acabaram por determinar que a suposição de haver melhor qualidade fosse simplesmente provocada pela publicidade.

Agora até nos Estados Unidos a Generic Pharmaceutical Association anuncia que no mínimo 14 medicamentos extremamente caros decorrentes da biotecnologia, que não contavam com rivais genéricos, passam a dispor com o que chamam imitações com preços mais baixos, de acordo com as autoridades regulamentadoras daquele país. Os medicamentos são regulados pela FDA - Food and Drug Administration para os norte-americanos, e os mais consagrados naquele país e conhecidos em muitos outros países são os Lipitor, para o colesterol e o Prozac, antidepressivo largamente consumidos no mundo.

Estima-se que a economia para os consumidores com o uso dos genéricos pode chegar a vinte e cinco bilhões de dólares até 2024, segundo notícia divulgada por Anna Edney num artigo publicado no site da Bloomberg. Uma cifra impressionante, que mostra o poder publicitário das empresas farmacêuticas. Ela informa que uma nova categoria de medicamentos com tratamento biotecnológico de células vivas que não podem ser copiadas precisamente já está estudada suficientemente, e que podem ser legalmente imitadas. Os especialistas acham que se forma no mundo o que estão denominando uma nova onda de similares nos medicamentos.

Alguns destes apresentam custos mais elevados do que as tradicionais drogas químicas, devido aos custosos testes requeridos pela FDA, mas o seu lançamento só têm sentido se custam 85% dos tradicionais, havendo muitos em que os seus preços apresentam queda de 30% ou mais.

O que os norte-americanos chamam de biosimilares apresenta algumas diferenças com os genéricos brasileiros que simplesmente utilizam os mesmos princípios ativos dos medicamentos mais conhecidos pelas suas marcas. Informam que o primeiro pedido para a produção destes medicamentos chegou em julho da Novartis com a versão do Neupogen que é uma droga contra o câncer da Amgen que vendeu US$ 1,4 bilhão só no ano passado. Espera-se a aprovação do pedido apresentado pelas autoridades locais para março próximo.

Informa-se que a FDA tem sido cuidadosa no exame do assunto, efetuando muitas reuniões com os laboratórios envolvidos, tanto os produtores tradicionais bem como os inovadores, com o exame dos efeitos destes similares sobre os pacientes, os quais foram desenvolvidos utilizando linhas de pesquisas científicas diferentes. As aprovações destes processos deverão ser demoradas.

A legislação norte-americana sobre o assunto teve avanços em 2010, mas os europeus já contam com estas facilidades desde 2006. Alguns dos medicamentos visados chegam a implicar em gastos anuais de 150 mil dólares para somente um paciente. Muitos destes produtos são citados no artigo da Bloomberg, com o nome de laboratórios consagrados como a Merck, Johnson & Johnson, Roche, Pfizer e outros. Podem ser encontrados clicando aqui.

Devido aos problemas de segurança estão sendo elaboradas orientações para todos, tanto de entidades regionais, envolvendo até a World Health Organization. Mas sempre estes remédios serão ministrados com orientações médicas.

Outra tendência que se observa no mundo, visando à redução dos custos relacionados com a saúde é a quebra de patentes para alguns medicamentos ou vacinas para enfrentar problemas de saúde pública. Os indianos estão entre os pioneiros nestas medidas que são importantes para os países emergentes e mais pobres. Também o Brasil vem procurando aproveitar estas possibilidades.

Estes problemas de saúde estão se tornando cruciais, tanto pelo aumento da população em países pobres como os da África, bem como a longevidade das populações em todo o mundo, que exigem dispêndios crescentes na manutenção da saúde.

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