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"Matei quanto foi necessário", diz torturador

As descrições do coronel Paulo Malhães sobre métodos de tortura e ocultação de cadáver chocam durante depoimento no Rio
por Redação — publicado 26/03/2014 09h21, última modificação 26/03/2014 19h31
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Repressão durante greve de Osasco

"Matei tantas pessoas quanto foram necessárias". Esta foi a resposta do coronel reformado do Exército Paulo Malhães, de 76 anos, ao ser questionado sobre quantas pessoas havia matado no centro de torturas clandestino conhecido como Casa da Morte, em Petrópolis, durante a ditadura.

Durante o depoimento à comissão, Malhães disse não se arrepender das mortes e não soube precisar quantas pessoas torturou durante o período.

Malhães surpreendeu quem acompanhou a sessão por demonstrar frieza ao descrever os métodos de tortura e ocultação de cadáver. “A tortura é um meio. Se quer saber a verdade, tem que apertar." Entre as suas atribuições, disse, estava o de desaparecer com os corpos sem deixar rastros. “Naquela época, não existia DNA. Quando você vai se desfazer de um corpo, quais partes podem determinar quem é a pessoa? Arcada dentária e digitais. Então você quebrava os dentes. As mãos, cortava daqui para cima”, explicou.

Malhães chamou as vítimas da repressão de “terroristas” e disse que elas não teriam sido mortas se, em vez da militância, tivessem ficado em casa, “ao lado da esposa e dos filhos”.

O torturador confirmou ter recebido ordem do coronel Coelho Neto, então subchefe do Centro de Informações do Exército, para ocultar a ossada do ex-deputado Rubens Paiva, morto em 1971. Mas, diferentemente do que relatou recentemente ao jornal O Globo, desta vez disse não ter executado a tarefa.