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Balanço

Marchas das Vadias mobilizam milhares em sete capitais

por Paloma Rodrigues — publicado 27/05/2013 17h45, última modificação 29/05/2013 11h15
Em São Paulo, 1,5 mil foram ao centro. Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, São Luiz e Aracaju também mobilizaram centenas
Marcelo Camargo/ABr
Marcha das Vadias

A Marcha das Vadias de São Paulo

As Marchas das Vadias mobilizam milhares de pessoas pelo Brasil. Em São Paulo, de acordo com a Polícia Militar, a manifestação chegou a reunir 1,5 mil pessoas. O tema da manifestação paulista foi “Quebre o Silêncio”,  incentivando a denúncia da violência sexual e doméstica. “Esperamos que nossa mensagem chegue a mais pessoas, especialmente a meninas e mulheres que sofrem violência”, diz a organização do coletivo feminista Marcha das Vadias de São Paulo (MdV SP) aCartaCapital. Em Recife, foram cerca de duas mil pessoas. Confira as fotos na galeria.

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, elogiou a iniciativa das organizações não governamentais ligadas à defesa dos direitos da mulher. “O bonito é que [a Marcha das Vadias] é feita por jovens. Homens e mulheres que se despertaram para questionar a violência contra a mulher, contra o corpo da mulher”, disse a ministra.

Neste ano, em São Paulo, foram distribuídos cartões com informações sobre a rede apoio a mulheres vítimas de violência. Os cartões foram elaborados de uma maneira que possam ser levados na carteira e usados em casos de emergência. Foram produzidas cinco mil unidades. “É um modo de ter sempre à mão telefones importantes em caso de emergência”, dizem.

A preocupação dos grupos e coletivos se justifica pelos números. O Brasil é o 7º país no ranking mundial de homicídios de mulheres, segundo o Conselho Nacional de Justiça. Números do Anuário das Mulheres Brasileiras 2011, mostram que quatro entre cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. O apontamento foi divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Os cartões entregues também reforçam que é a violência não é caracterizada somente pela agressão física ou sexual, mas também psicológica, patrimonial e moral e que, além disso, é possível conquistar na justiça que a pessoa agressora fique impedida de se aproximar da vítima.

Na página do grupo no Facebook também foi lançada uma campanha visual. Uma série de fotografias com megafones tentam simbolizar a quebra do silêncio e o poder de fala.

Em Pernambuco, a organização se surpreendeu com o número de adeptos, cerca de duas mil pessoas que marcharam pela Praça do Derby e seguiu pela avenida Conde da Boa Vista, na região central da capital. "O evento foi lindo. A nossa faixa foi pintada pelas meninas do coletivo Cores do Amanhã e tivemos apresentação de um coletivo de poesias. Foi muito bonito e muito energético", disse Ju Dolores, organizadora do ato em Recife.

O evento também contou com a participação da blogueira Lola, do blog Escreva Lola Escreva. "A presença da Lola deu um gás. Os debates preparatórios para a marcha trouxeram um número muito grande de pessoas que queriam conhecer e entender e a presença de pessoas como a Lola na própria marcha contribuiu ainda mais pra esse novo público", diz Larissacor Santiago, também da organização da Marcha no Recife.

Além dos gritos de guerra e dos cartazes com palavras de ordem, o grupo apostou em panfletos distribuídos nas universidades da capital, tanto públicas como particulares, e os debates promovidos pelo coletivo com especialistas - professores, enfermeiros e sociólogos com embasamento no tema. Expandir a área de atuação, na visão da organização, foi essencial para solidificar a estrutura do grupo e da marcha.

Para que a mobilização ganhe mais espaço na imprensa e na sociedade civil, os diversos coletivos se conversar para que as datas dos eventos sejam próximas. O MdV SP apontou o fato como uma necessidade e disse que os coletivos se conversam e tentam chegar a consensos por meio da internet. “Há certa articulação via internet entre as marchas do país. Procuramos manter datas iguais ou muito próximas para os atos e, neste ano, conseguimos no fim de semana, além de São Paulo, marcha em outras sete capitais [Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, São Luiz e Aracaju]”.

Segundo Ju Dolores, o importante é o mote que as une. "Queremos estabelecer meios que nos permitam atingir o maior público possível e também ganhar a mídia, para reforçar a luta contra a apologia ao estupro e a violência contra a mulher".

 

Com informações da Agência Brasil

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