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Sociedade

Contra a Copa

Manifestantes são cercados pela PM durante jogo em MG

por Piero Locatelli — publicado 14/06/2014 18h36, última modificação 14/06/2014 19h59
Sem opção, 500 ativistas ficaram ilhados em um cruzamento de ruas no centro de Belo Horizonte, onde Colômbia enfrentou a Grécia pelo torneio
Piero Locatelli
Manifestantes são cercados pela PM durante jogo em Belo Horizonte

Cerca de quatro mil policiais, em sua maioria da Tropa de Choque, sitiaram manifestantes na praça Sete

De Belo Horizonte (MG)

O secretário de Defesa Social de Minas Gerais , Rômulo Ferraz, prometeu 12 mil policias militares nas ruas de Belo Horizonte durante o primeiro jogo desta Copa do Mundo no estádio do Mineirão, neste sábado 14. O policiamento foi estimulado pela imprensa local, que pedia uma ação mais forte após a manifestação da última quinta-feira 12, quando um carro da Policia Civil foi tombado.

Ao que tudo indica, a promessa do secretário foi cumprida: cerca de quatro mil policiais, em sua maioria da Tropa de Choque, sitiaram manifestantes na praça Sete, um cruzamento de oito ruas e calçadões no centro da cidade.

O objetivo dos manifestantes era seguir em marcha em direção ao Mineirão, mesmo sabendo que não chegariam até lá devido à zona de exclusão da Fifa. Acuados por policiais, cachorros e cavalos, os quinhentos presentes não tiveram outra opção a não ser permanecer no local.

O policiamento próximo ao cruzamento começou antes da hora marcada do protesto, às dez horas da manhã. Uma hora antes, policiais já revistavam pedestres arbitrariamente na região. Um morador em situação de rua foi algemado e levado por policiais por carregar uma faca de cozinha dentro de sua mochila.

Oficiais também tentavam retirar do local tudo que pudesse ser usado pelos manifestantes. Policiais levantavam as grades de bueiros para guardar pedras, mais tarde carregadas dentro de caixas de sapatos cedidas por um comerciante. A mesma prevenção fez um vendedor de brincos artesanais perder os bastões de madeira que seguravam o pano em que dispunha seus produtos. Sem ter como expô-los, foi embora.

Segundo a polícia, onze pessoas foram detidas por portar máscaras, coquetéis molotov e armas brancas. A reportagem presenciou, por duas vezes, advogados serem impedidos de acompanhar as prisões. Além dos militantes levados pela polícia, outros foram identificados pelos oficiais, que tiravam fotos dos RGs e avisavam que eles seriam parados futuramente.

Após uma série de revistas, os manifestantes tentaram começar o ato, próximo ao meio dia, ocupando o cruzamento. Naquele momento, as tropas se enfileiraram bloqueando todas as ruas que davam acesso à praça.

Nas horas de isolamento, manifestantes pediam para que os policiais não fossem provocados e para depredações serem evitadas. Eles também mataram o tempo jogando futebol improvisado com chinelos marcando o gol, onde a bola às vezes batia nos escudos do choque e voltava.

Os manifestantes, de diversos movimentos sociais e partidos de esquerda, pediam a retirada do policiamento ostensivo para que eles pudessem sair do local. Somente após seis horas no cruzamento, foi feito um acordo entre o Ministério Público e a Polícia Militar para que eles seguissem até a praça da Estação, a cerca de quinhentos metros dali. Não aconteceram depredações no caminho e o ato foi dispersado logo em seguida.