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Manifestação vai lembrar assassinato de casal de extrativista

por Felipe Milanez publicado 24/05/2013 19h18
Familiares de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva vão revitalizar o lote deixado pelo casal
Felipe Milanez
José Cláudio Ribeiro

Zé Claudio e a 'majestade', que será homenageada neste sábado

Dois anos após o assassinato de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, movimentos sociais do sul do Pará vão realizar um ato em homenagem ao casal no assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna (PA). A mobilização, marcada para o sábado 25, será realizada na estrada onde correu o crime, numa ponte em que dois pistoleiros armaram a emboscada. E segue para a casa onde viviam.

No local do crime, a placa que faz homenagem ao casal foi depredada a tiros. Durante a mobilização, vai ser feita uma corrente em torno da Majestade, como chamavam a maior castanheira do lote, que se tornou símbolo da luta pela floresta.

A decisão de realizar o ato no assentamento e no lote onde o casal vivia acompanha uma decisão dos familiares em dar continuidade à luta e em defesa da memória dois dois. É, também, uma reação ao julgamento, realizado nos dias 3 e 4 de abril, no qual o acusado de ser o mandante do crime, José Rodrigues Moreira, foi absolvido.

"Após o julgamento, a família decidiu basicamente duas coisas. A primeira é voltar para o assentamento e revitalizar a casa, e transformar em um espaço de produção e educação ambiental, como os dois queriam", conta Claudelice Santos, irmã de Zé Cláudio. "Produção baseada no extrativismo. E a educação com foco na consciência ambiental", diz.

A outra coisa, segundo ela, são os recursos e a pressão judicial contra a impunidade. "Não concordamos com o resultado. O julgamento foi moral. Não aceitamos. Alguém mandou, com certeza, alguém mandou matar Zé Cláudio e Maria. E essa pessoa merece punição." "O mandante", diz Claudelice, "está solto e vai mandar matar de novo. Já mandou uma vez e não aconteceu nada com ele. Ele vai mandar matar de novo. Mais cedo ou mais tarde. Temos medo"

De acordo com Claudelice, o momento é de retomar a luta. "Nesses dois anos, o choque foi muito grande, e o medo de permanecer lá foi maior. Não tínhamos condições físicas nenhuma de ficar lá, então decidimos sair."

A revolta pela impunidade serviu, nesse sentido, para mobilizar as famílias. "Resolvemos nos juntar, todo mundo, e tocar o barco para a frente. Não vamos deixar a peteca cair por causa daquele julgamento. Só nos deu mais força e mais ânimo para continuar lutando", afirma a irmã de Zé Cláudio.

Programação do ato em memória do casal de extrativista Maria e José Claudio.

Local: Agroextrativista em Nova Ipixuna (PA), em 25/5

9h00 - Mística de abertura, no local do assassinato do casal

10h00 – Celebração ecumênica na paróquia de Nova Ipixuna

11h00 – Ato político  (Movimentos sociais e familiares)

11h30 – Recordação da vida, fatos que marcaram a vida do casal (Fetagri e ex alunos da pedagogia da terra) - Visitação da casa e do espaço de vivencia do casal

12h30 – Almoço

13h30 – Trilha ecológica. Encerramento envolto da majestade (mística MST)

16h00 – Retorno