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Mais uma indecência

por Delfim Netto publicado 23/08/2010 09h58, última modificação 24/08/2010 16h39
É interessante ver no mundo a situação das áreas de floresta onde estão os patrocinadores das campanhas contra os brasileiros “devastadores”
Mais uma indecência

É interessante ver no mundo a situação das áreas de floresta onde estão os patrocinadores das campanhas contra os brasileiros “devastadores”. Por Delfim Netto. Foto: Antonio Cruz/ ABr

Já é bastante numerosa, mas a cada dia aumenta um pouco mais a legião dos pilantras que se apresentam como paladinos da preservação da floresta amazônica, “condição essencial” para impedir a catástrofe climática que tornará insuportável a vida na Terra. O pretexto é saudável (reduzir a poluição atmosférica), embora ninguém tenha conhecimento razoavelmente seguro sobre esse processo. Não é difícil identificar, no entanto, por detrás das frequentes declarações de amor às árvores, o objetivo de manter ativo o movimento pela internacionalização da Amazônia.

Não se trata de reanimar antigas teorias conspiratórias. O que incomoda, realmente, é assistir às parcerias que surgem em uma boa parte de nossa mídia desatenta e na internet endossando (às vezes ingenuamente) a condenação ao comportamento dos brasileiros e de seus governos “que são incapazes de impedir a devastação de um patrimônio universal”. E que, por isso mesmo, deveriam admitir, numa boa, o controle de organismos internacionais que melhor administrariam as riquezas amazônicas, em benefício de toda a humanidade.

Quem assiste à gritaria das ONGs nacionais (algumas sustentadas com dinheiro oficial e com patrocínio de empresas estatais) ou das ONGs estrangeiras (financiadas pelos governos e por grupos internacionais) fica com a impressão de que o Brasil foi e continua sendo o maior devastador das florestas que cobriam os continentes. Essas proposições sem a menor base real são repercutidas aqui à margem de qualquer verificação. Os mais desatentos (ou com o velho complexo de vira-lata) apenas as repetem e teclam e repetem, mesmo sem patrocínio...

Estudos recentes tão cuidadosos quanto são possíveis e usando as melhores informações disponíveis da história dos povos e de suas civilizações, conseguem identificar a localização e a distribuição das florestas nos cinco continentes, com razoável probabilidade de acerto. As informações, com base nas várias ciências que tratam dessas questões, permitem estimar que as áreas de florestas que cobriam os continentes há 8 mil anos eram algo entre 60 e 70 milhões de quilômetros quadrados. As áreas de florestas remanescentes hoje em nosso mundo estão entre 15 e 20 milhões de quilômetros quadrados, o que representa praticamente um quarto da originalmente coberta.
A estimativa para a posição do Brasil há 8 mil anos é que detínhamos 10% do total das florestas, o equivalente a 6,5 milhões de quilômetros quadrados. Hoje o Brasil detém, aproximadamente, 28% do total mundial das florestas, o que soma 4,5 milhões de quilômetros quadrados, um pouco mais da metade do território nacional. É interessante verificar a situação das áreas de florestas no resto do mundo onde estão os países e muitas organizações que patrocinam as campanhas contra os brasileiros “devastadores de florestas”.

Os números vão a seguir e mostram o imenso exagero das ONGs corrompidas e seus financiadores, que apoiam a mais nova e indecente proposta de supervisão internacional para o território amazônico, sintetizada na proposição: “Fazendas e produção agrícola aqui (Estados Unidos e Europa) e Florestas lá (no Brasil)”. Muito simplesmente significa o seguinte: vocês, brasileiros, tratem de conter essa expansão indevida da produção agropecuária que ameaça invadir o território sagrado das florestas e deixem aos nossos cuidados a produção de soja e carnes que vai alimentá-los.

Vejamos, na tabela abaixo, como se comparam os números de conservação de áreas de florestas no Brasil e no resto do mundo.
É evidente que devemos zelar cada vez mais e melhor por nossas florestas e continuar os projetos de desenvolvimento da região amazônica com os devidos cuidados de preservação ambiental, pois isso é fundamental para o controle de nosso clima. Não temos, portanto, por que aceitar sugestões de organismos ou governos de países que já consumiram todas as suas florestas e justificadamente miram com inveja as reservas que o Brasil soube administrar melhor do que a maioria.

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