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Sociedade

Mato Grosso do Sul

Líder de acampamento Guarani Kaiowá é assassinado

por Redação — publicado 02/12/2013 19h36
Conhecido por participar do filme Terra Vermelha, Ambrósio Vilhalva teria sido morto a facadas por indígenas

Ambrósio Vilhalva, liderança Guarani Kaiowá do acampamento Guyraroká, em Mato Grosso do Sul, foi assassinado a facadas na noite de domingo, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). De acordo com o órgão, Vilhalva foi morto em sua própria aldeia, no caminho de casa.

A morte de Vilhalva, segundo informações preliminares, teria sido assassinado por indígenas e está ligada aos impactos do processo histórico imposto aos Guarani Kaiowá de perda de território e confinamento nas reservas. Essas experiências transformaram seus modos de vida e diminuíram a qualidade de convivência. Nesse contexto, o uso compulsivo de bebidas alcoólicas proliferou com força, atingindo centenas de Kaiowá desde então, inclusive Vilhalva.

Nos últimos anos de sua vida, o líder havia sido alertado pela comunidade sobre os problemas que o consumo de bebidas alcoólicas traziam, mas Vilhalva vinha se tornando cada vez mais hostil com os indígenas da aldeia.

As memórias, entretanto, dão conta de que Vilhalva não fora sempre assim. De acordo com o CIMI, ele era um bom aprendiz e auxiliar do pai, seu Papito, rezador tradicional da comunidade. Em 2008, Vilhalva se tornou conhecido ao participar do longa de ficção "Terra Vermelha", co-produção italiana e brasileira sobre a tragédia Kaiowá. Elogiado, o filme teve cinco nomeações, incluindo o Festival de Veneza, e duas premiações.

Segundo o CIMI, Guyraroká é um território retomado pelos Kaiowá. Em 1990, um grupo de 30 famílias que viviam confinadas na reserva Tey'kue, em Caarapó, conseguiu ocupar 60 hectares de uma das fazendas. Dali, foram expulsos e permaneceram por quatro anos na beira da estrada, até que conseguiram voltar para a área.

Estudos antropológicos confirmaram a tradicionalidade do Guyraroká e 12 mil hectares foram identificados como terras originariamente ocupadas por aquelas famílias. Em 2009, o Ministério da Justiça publicou uma portaria declaratória, reconhecendo a área como efetivamente indígena.