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Reparação

Justiça retifica atestado de óbito de estudante morto durante ditadura

por Agência Brasil publicado 17/12/2013 18h47, última modificação 17/12/2013 18h54
Documento retira a causa da morte por “lesão traumática crânio-encefálica” por atropelamento e passa a atestar que Alexandre Vannucchi foi morto por lesões decorrentes de torturas
Reprodução
alexandre vannuchi

Além de estudar na Universidade de São Paulo (USP), Vannucchi militava na Ação Libertadora Nacional (ALN)

Elaine Patricia Cruz

A Justiça de São Paulo determinou a retificação da causa da morte do estudante Alexandre Vannuchi Leme, morto durante a ditadura (1964-1985). O pedido da retificação da morte do estudante foi feito pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) e encaminhado à Justiça paulista, após solicitação de irmãos da vítima que queriam a alteração do atestado de óbito.

Em sua decisão, a juíza Renata Mota Maciel Madeira Dezem, da 2ª Vara de Registros Públicos da Capital, acolheu a manifestação da comissão e ordenou a retificação do atestado de óbito do estudante. Com isso, o novo documento irá retirar a causa da morte como provocada por “lesão traumática crânio-encefálica” causada por atropelamento e passará a atestar que Vannucchi foi morto por lesões decorrentes de torturas e maus-tratos sofridos quando estava nas dependências do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo.

Além de estudar na Universidade de São Paulo (USP), Vannucchi militava na Ação Libertadora Nacional (ALN). Ele foi morto em 17 de março de 1973, aos 22 anos, após ser preso na Cidade Universitária. O estudante foi torturado e assassinado nas dependências do DOI-Codi e teve o corpo enterrado na Vala de Perus, em um buraco forrado de cal para acelerar a decomposição.

Em março deste ano, durante cerimônia na capital paulista, a Caravana da Anistia concedeu a Vannucchi uma anistia post mortem, reconhecendo-o como anistiado político.

*Publicado originalmente na Agência Brasil

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