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Fórum de Interesse Público

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09.11.2011 12:13

Invasão da USP, uma tragédia de erros

Conflito ente estudantes e policiais cria momento propício para a discussão democrática sobre segurança nas universidades. Foto: Natália Natarelli

Por Leonardo Avritzer

A retirada forçada dos estudantes da reitoria da USP pela polícia militar do estado de São Paulo, expressa um conjunto de concepções equivocadas, por parte das universidades, estudantes e governantes que têm marcado o conjunto do sistema universitário brasileiro desde a nossa re-democratização. Essa tragédia, ruim para a universidade e também para a democracia brasileira, poderia ter sido evitada se uma concepção mais correta de como prover segurança democraticamente nos campi das universidades brasileiras tivesse sido discutida a sério no país. Quem sabe este momento finalmente tenha chegado.

A ideia de autonomia universitária é uma das mais importantes ideias que marcaram o desenvolvimento das universidades europeias e latino-americanas. Originada inicialmente na Europa, no interior da discussão sobre autonomia do processo de produção do conhecimento, essa ideia foi ampliada na chamada reforma universitária proposta pelos estudantes de Córdoba no início do século XX. Desde então, as universidades latino-americanas são conhecidas por campi universitátios relativamente autonômos nas suas formas de gestão. A ideia de autonomia universitária é forte no Brasil, desde os anos 30, e se tornou particularmente forte durante o período autoritário. A partir daquele momento, autonomia universitária foi entendida como a ausência dos aparatos de segurança do estado (autoritário) das universidades.

Essa visão de campi universitários sem a presença da polícia se manteve durante a re-democratizaçào brasileira, mas se tornou insustentável por uma mudança externa à própria universidade, o aumento da violência urbana no país. O fato que motivou a entrada da policia no campus da USP, um crime grave mas comum, já ocorreu em diversas outras universidades brasileiras e está ligada ao fato que o crime organizado e até mesmo os criminosos desorganizados já perceberam a fragilidade da seguranca nos campus e passam a operar neste espaço. Assassinatos, violencia sexual, roubos são parte do panorama cotidiano do espaço universitário hoje. Portanto, a questão da segurança nos campi é uma questão que tem que ser pensada seriamente.

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Por outro lado, o primarismo das nossas polícias militares ficou, mais uma vez, absolutamente patente no episódio que levou à ocupação da reitoria da USP. O episódio foi provocado por uma polícia mal dirigida e mal treinada, que não sabe diferenciar entre crimes graves e delitos. Vale a pena também mencionar a inadequação da legislação brasileira sobre drogas que continua punindo o pequeno usuário, no momento em que um ex-presidente da República assina publicamente um documento a favor da descriminalização do seu uso.

A atitude da polícia e do governo do estado de São Paulo justificam a posição adotada por alguns estudantes de pedirem uma polícia comunitária na universidade. Ela deve ser controlada por uma comissão com representaçào dos estudantes e deve estar ligada à polícia militar. Essa deve entrar no campus apenas nos casos de ameaça a integridade física dos membros da comunidade universitária e de graves ameaças ao patrimônio público.

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Sua opinião

  1. Mônica disse:
    A violência é um fenômeno muito, mas muito mais complexo do que você está pintando. Dizer que o crime é fruto de uma "escolha individual" é tão ou mais simplista e reducionista do que "por a culpa na sociedade". Aliás, "por a culpa na sociedade" é muito diferente de dizer que a sociedade cria condições para o surgimento da violência. A culpa pelo crime é sempre individual. Mas as condições para o surgimento do crime são sociais. Logo, não podemos nos iludir pensando que a simples punição dos infratores é suficiente para acabar ou mesmo controlar a criminalidade. Existem muitos outros fatores que devem ser analisados.
  2. VITOR disse:
    O que esta dando pra entender nos textos por ai, e em alguns comentários, é que muitas pessoas acham que a “Cidade” Universitária, é de fato uma Cidade, e pior, em outro País.... Pasmem, lá é um local dentro do território nacional brasileiro pra quem ainda não se deu conta. As leis do nosso país, também são vigentes naquele local. Percebam a infantilidade e fragilidade da reivindicação; esse povo, esta contra a presença da policia para poder fumar maconha livremente, nunca vi tamanho absurdo, se isolasse algumas dessas frases, inclusive ditas por muitos jornalistas, poderia jurar que vem de algum traficante ou qualquer outro do tipo. Fumar maconha no Brasil ainda é crime, por mais que alguns achem que não é certo (mas ai, é outra discussão muito mais inteligente, necessária e polêmica). Só que o custo desse conforto, recai nas costas da vitima de estupro, homicídio e uma infinidade de outros crimes. Para quem não se recorda, estes “Estudantes” depredaram várias viaturas que é patrimônio publico pago com dinheiro publico, assim como também são, as despesas geradas pelos seus estudos. Mais do que o ato de vandalismo travestido de reivindicação, quando perceberam que estavam em maior numero, covardemente agrediram agentes da autoridade, que alias, foram os únicos desde aquele episódio, que foram parar no hospital por conta da travessura de infantes brincando de revolucionário da ditadura militar. Pelo comentário, parece que o que falo é ironia né. O texto, de forma mais velada que vários outro que tive o desprazer de ler, condenou a ação policial, dizendo ser um exagero a quantidade de policiais e helicópteros, mas para que fique mais bem informado, tanto o escritor como os demais que seguem na mesma esteira, gostaria de explicar que a equipe de choque da PM, trabalha com um protocolo especifico para esse tipo de evento, onde de fato, se mostra muita força, para que enfim seja evitado o confronto e se evite ao máximo, pessoas feridas, o que de fato aconteceu. Mais que isso, ele trouxe a baila, a forma de acondicionamento deles quando levados a delegacia, pois ficaram em ônibus. O que queria? Talvez que eles fossem transportados no guarda preso da viatura e depois, ficasse aguardando em celas? Desculpe-me, mas nesse caso, friso, nesse caso, não vejo nenhuma anormalidade na ação policial, nem tampouco, consigo achar nenhum ponto positivo na conduta dessa meia dúzia representando ninguém.
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