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Sociedade

Questão indígena

Indígenas ocupam Pátio do Colégio em São Paulo

por Piero Locatelli — publicado 16/04/2014 18h09
Guaranis pedem que o Ministério da Justiça aceite demarcação de terras feitas pelo Incra
Piero Locatelli
Carlos Contieri

O padre Carlos Contieri conversa com os índios que ocuparam o Pátio do Colégio

Indígenas de diferentes aldeias da cidade de São Paulo ocuparam nesta quarta-feira 16 o Pátio do Colégio, marco da "fundação" da cidade. A ocupação ocorreu pacificamente e surpreendeu os funcionários e visitantes do local.

Os índios Guarani reivindicam que o Ministério da Justiça emita as portarias que garantem as terras indígenas Tenonde Porã e Jaraguá, ambas já delimitadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Os indígenas também pedem a suspensão da reintegração de posse de uma área ocupada por cerca de 700 guaranis na Aldeia Tekoa Pyau, ao lado do pico do Jaraguá.

Atualmente, os índios vivem situações precárias no extremo norte e sul da cidade. Com a falta de terras, eles não conseguem manter seu modo de vida tradicional e têm problemas de saneamento, educação e saúde. Em setembro e novembro de 2013, reportagens de CartaCapital mostraram a situação dos índios na zona norte de São Paulo e também na zona sul.

Os indígenas rezaram no local, onde devem permanecer até esta quinta-feira 17, quando vão lançar a campanha Resistência Guarani SP.

O padre Carlos Contieri, responsável pelo local, no começo se mostrou incomodado, dizendo que "desrespeitaram a minha propriedade". Depois, em um tom mais ameno, pediu que somente os índios permanecessem no local. Ele lamentou a forma como foi feito o início do diálogo.

Em seu manifesto, os indígenas afirmam que o pátio lembra a tomada de suas terras. "Fizemos isso pensando que em poucos dias chega a data que chamamos de "dia do Índio". Nesse dia, porém, nos acostumamos a ser enganados, da mesma forma que nos enganaram quando chegaram dizendo que eram nossos amigos".

Jerá, da aldeia Tenondé Porã, diz que a mobilização deve ser mantida até que eles consigam a garantia da terra. "Desde o contato com o 'mundo de lá', a gente sempre esteve em luta. Então não é agora que a gente vai parar", afirmou.