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São Paulo

Ação do Denarc na Cracolândia foi "incidente", diz Fernando Grella

por Bruna Carvalho — publicado 29/01/2014 18h02, última modificação 30/01/2014 12h23
Em coletiva, secretário de Segurança Pública e prefeito Fernando Haddad falam em união de forças para combater o narcotráfico

Uma semana depois de agentes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) realizarem uma repressão violenta na região da Cracolândia, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o secretário de Segurança Pública do Estado São Paulo, Fernando Grella, consideram o acontecimento como um episódio isolado.

Nesta quarta feira 29, em uma coletiva para divulgar o balanço da Operação De Braços Abertos, Grella classificou o episódio como um “incidente” que não deve se repetir. Haddad afirmou que, desde a sua concepção, a operação foi realizada a partir de uma ação conjunta com a Polícia Militar. “O objetivo de combate ao narcotráfico sempre esteve no nosso horizonte” disse o prefeito.

Segundo Grella, o Denarc realiza ações na Cracolândia desde de dezembro de 2013, que já resultaram mais de 90 prisões. Haddad reafirmou que esteve em contato com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) desde ação da Polícia Civil e disse haver um entendimento a respeito da necessidade de trabalho conjunto entre a prefeitura e o governo do Estado. Haddad reiterou que a filosofia da operação é permitir o direito de ir e vir dos comerciantes, dos agentes e dos dependentes, com exceção dos traficantes. "É uma questão complexa que exige a soma de esforços de vários segmentos”, disse Haddad. “Todo tipo de união de forças é válida no sentido de combater o tráfico de entorpecentes.”

Participaram da entrevista coletiva desta quarta-feira 29 o secretários municipais José de Filippi (Saúde), Luciana Temer (Assistência Social), Roberto Porto (Segurança Urbana) e José Alexandre (Trabalho). De acordo com o balanço, o programa De Braços Abertos cadastrou na terça-feira 28 mais 41 integrantes, que se somam aos 329 beneficiários cadastrados na semana passada. Entre os dias 17 e 27 de janeiro, a Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar prenderam 25 pessoas na região em 22 flagrantes de tráfico. Foram apreendidas 1131 pedras de crack.

A Operação de Braços Abertos tenta reabilitar os dependentes químicos que vivem na região da Cracolândia. A prefeitura desmontou os barracos erguidos nas calçadas das ruas Helvétia e Dino Bueno, no centro da capital paulista, ofereceu hospedagem em cinco hotéis da região, a contratação para serviços de varrição e zeladoria com carga horária de quatro horas diárias, mais duas de qualificação e salário de 15 reais por dia de trabalho, além do fornecimento de três refeições gratuitas. O modelo não prevê o desligamento dos atendidos caso faltem ao trabalho, mas busca garantir a oportunidade de retomada de uma vida digna e despertar o desejo de transformação no usuário. A Braços Abertos busca se distanciar da ação realizada pela gestão Gilberto Kassab (PSD) em 2012, com apoio do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB). Conhecida como Operação Sufoco, a ação se baseou em forte repressão policial aos usuários de crack.