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Racismo

Grávida negra é exposta: "vende-se bebê por R$ 50"

por Djamila Ribeiro publicado 12/05/2015 14h55, última modificação 12/05/2015 15h17
Jornalista de Brasília registrou um boletim de ocorrência após a agressão
Reprodução
racismo-grávida-facebook

O "anúncio" foi feito no Facebook e apagado após a forte a repercussão negativa

As redes sociais têm sido palco de discurso de ódio e manifestações racistas. Recentemente, após alterar sua foto de perfil em uma delas, a jornalista brasiliense Cristiane Damacena recebeu uma enxurrada de xingamentos racistas.

Nesta segunda-feira 11 de maio foi a vez de mais uma mulher negra ser vítima desse tipo de ação. Coincidência ou não, a vítima foi outra jornalista de Brasília. Raíssa Gomes teve uma foto sua grávida, tirada em 2011, colocada em forma de anúncio num grupo de Facebook destinado a vender artigos usados, com a seguinte frase: “Vende-se um bebê por R$ 50 reais” Abaixo da foto ainda diz: “como eu e minha mulher não conseguimos Cytotec [medicamento utilizado para a realização de aborto] resolvemos vender a criança".

Raíssa soube que estava sendo exposta meia hora depois que o falso anúncio foi ao ar. O “anunciante” foi identificado como Laio Santiago e, após a repercussão, apagou o post. Ela acredita que sua foto foi retirada de um texto que escreveu para o site “Blogueiras Negras” o qual fala sobre a dificuldade de ser mãe e negra e sobre parto humanizado. 

Raíssa é categórica: “o que aconteceu comigo é somente um reflexo do que a sociedade pensa e reproduz. Já passou da hora das pessoas entenderem que não é um caso isolado; é necessário discutir abertamente sobre racismo no Brasil e a perpetuação dessas atitudes”.

A jornalista registrou boletim de ocorrência na própria segunda-feira em uma delegacia da Asa Norte (Brasília) e irá avaliar com sua advogada como dar prosseguimento ao caso.

Grada Kilomba, em seu livro Plantations Memories diz: “Por serem nem brancas, nem homens, as mulheres negras ocupam uma posição muito difícil na sociedade supremacista branca. Nós representamos uma espécie de carência dupla, uma dupla alteridade, já que somos a antítese de ambos, branquitude e masculinidade”. 

E é necessário combater essa posição difícil que teimam em nos manter. Sojourner Truth, precursora do feminismo negro, em um trecho de um poema chamado “The preachers” sintetiza a luta da mulher negra por dignidade:

“Eu não estou indo embora

Vou ficar aqui

E resistir ao fogo”.

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