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Opinião

Amélia Bündchen deixa mulheres em fúria

por Matheus Pichonelli publicado 28/09/2011 14h44, última modificação 29/09/2011 10h29
Governo pede suspensão de campanha publicitária em que a top model ensina mulheres a tirarem a roupa para não irritar os maridões

Não basta ficar só de calcinha e sutiã para evitar a fúria do maridão quando bater o carro, trouxer a sogra para casa ou quando estourar o limite do cartão de crédito. Gisele Bündchen, a Amélia da publicidade nacional, também terá que controlar a fúria das mulheres que se indignaram com a campanha da Hope Lingerie, protagonizada por ela, com o suposto objetivo de ensinar as colegas a encontrar formas (e a vestimentas) corretas na hora de avisar os provedores da casa sobre as desfortunas do “sexo frágil” - e, assim, evitar demonstrações de afeto de homens formados no Curso Dado Dolabella de Gentileza Masculina.

“Hope ensina”, a campanha da Hope Lingerie estrelada pela top, que, a muito custo, os movimentos em defesa da mulher conseguiram combater.

No ar há oito dias, a campanha resultou numa série de manifestações na internet, parte delas encaminhadas à Secretaria de Políticas para as Mulheres, e levou o governo federal a enviar um ofício ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) pedindo a suspensão da publicidade. Um outro ofício foi encaminhado para a direção da empresa como manifesto de repúdio à peça.

O argumento foi que, ao “ensinar” como a sensualidade pode deixar qualquer homem derretido, Gisele Amélia Bündchen acabou apenas estimulando as mulheres a se insinuar, com o próprio corpo, “para amenizar possíveis reações de seus companheiros”.

“A propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”. Mais que isso, a secretaria fez questão de lembrar que o conteúdo discriminatório contra a mulher pode ser enquadrado como infração da Constituição Federal.

Se o resultado da queda de braço será somada à lista de conquistas do movimento feminino ainda não se sabe. Fato é que, nesta quarta-feira 28, a empresa enviou uma nota à imprensa justificando o conteúdo da propaganda. Na nota, assinada pela diretora Sandra Chayo, a empresa argumentou que a “propaganda teve o objetivo claro e bem definido de mostrar, de forma bem-humorada, que a sensualidade natural da mulher brasileira, reconhecida mundialmente, pode ser uma arma eficaz no momento de dar uma má notícia”. E que, utilizando a lingerie da marca, esse “poder de convencimento” será ainda maior.

Segundo a empresa, os exemplos nunca tiveram a intenção de parecer sexistas. “Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher”.

A campanha, argumenta a empresa, tinha como objetivo mostrar justamente que a mulher não é subserviente nem dependente financeiramente do marido. Por isso decidiu escalar para o papel uma mulher bem sucedida em sua carreira internacional – e que já havia protagonizado papel semelhante em campanha de uma empresa de tevê a cabo (grifo do autor).

As situações apresentadas na propaganda, portanto, eram só “brincadeiras, piadas do dia-a-dia, e em hipótese alguma devem ser tomadas como depreciativas da figura feminina”, justificou a Hope.

Resta saber se os argumentos vão convencer as pessoas que se indignaram com o conteúdo na internet, a Secretaria de Políticas para as Mulheres e o Conar, que está notificado. Por enquanto, a Hope promete manter a campanha no ar. No site da empresa, o recado da top segue firme e forte em seu vídeo promocional: “Você é brasileira, use seu charme”. Recado dado, Amélia.

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