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Gaza? Não, Rio de Janeiro

por Redação Carta Capital — publicado 26/11/2010 07h49, última modificação 06/06/2015 18h17
A reação a ataques do crime organizado torna a cidade zona de guerra. Após um ataque contra o Caveirão, o governo fluminense aceitou o auxílio das Forças Armadas

A reação a ataques do crime organizado torna a cidade zona de guerra
Os helicópteros das tevês acompanham, dia após dia, a elevação de torres de fumaça provocadas por dezenas de veículos incendiados em diversos pontos da cidade, em ataques que fizeram ao menos 30 vítimas em menos de cinco dias. Não, não se trata de noticiário recente sobre a Faixa de Gaza. Tampouco das tensões em Juárez ou Tijuana, cidades dominadas pelo tráfico ao norte do México. Tal era o saldo, até as 17 horas da quinta-feira 25, da onda de violência no Rio de Janeiro.
E com fortes tendências a piorar, com a reação armada do poder público. Após um ataque contra o Caveirão – veículo blindado que deveria inspirar medo nas falanges criminosas escondidas nos morros cariocas –,--- o governo fluminense aceitou o auxílio das Forças Armadas. Com isso, aumentou o peso da artilharia empregada na batalha contra o tráfico, que pode ter palco na Vila Cruzeiro. A entrada de seis blindados da Marinha na favela do bairro da Penha, no subúrbio da capital carioca, foi transmitida ao vivo, enquanto os repórteres faziam a contagem dos baleados durante a ação: três, logo nas primeiras horas.
Ao que tudo indica, os ataques partem de facções criminosas indignadas pela transferência de lideranças de presídios da capital fluminense para unidades em estados mais afastados. , o governo do Rio acertou ao optar pela instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos pontos antes dominados pelos traficantes, no lugar de partir para o confronto direto. Mas pecou ao permitir que se instalasse, no interior do sistema carcerário, a base de operações dos cabeças do crime organizado.
Há que se destacar, ainda, a falta de um serviço de inteligência capaz de antever a previsível reação dos criminosos, uma mistura de táticas de guerrilha e terrorismo. O rastro de violência espalhou-se rapidamente até atingir regiões de classe média da cidade, como a Barra da Tijuca e a zona sul, onde os formadores de opinião exigem resposta à Capitão Nascimento. Munida de informações sobre o modus operandi dos bandidos, as autoridades evitariam a estratégia do enfrentamento – carregado dos riscos e ônus que recaem mais pesadamente sobre a população humilde obrigada a coabitar com as quadrilhas.

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