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Fugindo das dívidas, Jornal do Brasil deixa de circular

por Redação Carta Capital — publicado 31/08/2010 14h43, última modificação 31/08/2010 14h43
Devendo cerca de 800 milhões de reais, o jornal carioca, agora, passa a ter apenas a versão online disponível

A partir de amanhã, os leitores fiéis do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, só terão a versão online à disposição. A última edição impressa do JB foi às bancas nesta terça-feira 31. Fundado há 119 anos, o periódico acumulou dívidas que chegam à casa dos 800 milhões de reais.

O empresário Nelson Tanure, que assumiu o controle do jornal em 2001, anunciou há um mês que abandonaria o papel, concentrando-se na edição da internet. É o segundo jornal nas mãos de Tanure que deixa de circular em pouco mais de um ano. Em 2009, foi a Gazeta Mercantil, de São Paulo, que sucumbiu às dificuldades financeiras e saiu das bancas.

Inaugurando a fase totalmente digital, o JB promete para amanhã um artigo assinado pelo presidente Lula. Comunicado publicado hoje pelo JB diz que "os custos econômicos e ambientais do papel são insustentáveis" e louva a consulta feita aos assinantes para definir os rumos da edição eletrônica. O jornal também afirma que "não haverá, neste contexto, qualquer alteração na linha editorial de independência e de qualidade".

O fim da versão impressa do jornal teve uma forte repercussão entre jornalistas, leitores e veículos estrangeiros. Outros jornais no mundo, no entanto, já fizeram movimento semelhante. Fundado em 1908, o Christian Science Monitor, norte-americano, abandonou o papel em março de 2009. Os controladores do jornal também estavam fugindo de um prejuízo enorme, na casa dos 3 milhões de dólares anuais.

Em outro trecho da nota de despedida, o jornal apela, mais uma vez, para razões ecológicas: "Mais que isso, são desnecessários: uma única edição de domingo do JB corresponde a cerca de 200 árvores, que levam anos para crescer e ocupam 40 mil metros quadrados de florestas. Isso equivale a quatro campos e meio de futebol. Em um ano, com a versão digital, são preservadas áreas florestais correspondentes a mais de 1.200 Maracanãs".

Apesar da preocupação louvável com o meio ambiente, é difícil enxergar a migração total para a web caso o jornal estivesse com as contas em dia. Assim como no caso do Christian Science Monitor, a aposta online é apenas o sinônimo de menos prejuízos com todo o material e o lado industrial envolvidos na produção de um jornal em papel.

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