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Farmacêuticas contestam preços usados em levantamento de ONG

por Gabriel Bonis publicado 21/07/2013 07h49, última modificação 21/07/2013 12h04
Segundo Médicos Sem Fronteiras, preço global das vacinas aumentou 2700% na última década. Merk diz que vacinas estão mais modernas
Corinne Baker / Médicos Sem Fronteiras
Vacinas

Vacinação oral contra a cólera em um campo de refugiados no Sudão do Sul

Um levantamento da ONG Médicos Sem Fronteira (MSF) mostra que o preço global do pacote básico de vacinação para crianças aumentou 2700% na última década. Em parte, porque o número de imunizações recomendadas subiu (Leia mais AQUI), mas também devido à disparidade de preços de duas vacinas novas: as imunizações contra doenças pneumocócicas e o rotavírus, responsáveis por mais de 75% do preço do pacote.

Há dez anos, diz o MSF, era possível vacinar uma criança com 1,37 dólares (cerca de 3,05 reais). Hoje, as 11 vacinas saem por 38,80 dólares (cerca de 86,52 reais). Os preços utilizados como base são os obtidos pela Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (GAVI), entidade que auxilia os governos de países pobres a obterem os menores preços globais de vacinas.

As farmacêuticas Pfizer e Merck, duas das produtoras mundiais das vacinas, contestam os preços do levantamento. “Esses valores não estão corretos. As vacinas contra o rotavírus e as doenças pneumocócicas são novas, têm tecnologia moderna. O custo, portanto, é maior”, diz João Sanches, diretor de relações institucionais da Merck no Brasil. “Questionamentos de organizações humanitárias como os Médicos Sem Fronteiras são válidos, mas algumas coisas fogem da racionalidade.”

Para ele, os preços obtidos pela Gavi são muito menores “porque se trata de um preço humanitário, até abaixo do custo”. “É uma situação especifica para países com poder de compra muito baixo.”

A sede da Pfizer informou, em nota, estar comprometida em tornar suas vacinas disponíveis para crianças e adultos em todo o mundo. “Para cumprir com esse compromisso, a Pfizer trabalha em conjunto com o governo e organizações de cada país, considerando a situação socioeconômica de cada nação.”

Sanches também destacou não haver falta de transparência sobre os preços reais dos medicamentos. “O preço é uma questão de segredo industrial. Uma empresa automobilística não revela, por exemplo, quanto custa realmente um de seus carros.”

O diretor da Merck ainda ressaltou que os preços não são o único empecilho para as vacinas. Um problema tão grande quanto é fazer as doses chegarem aos locais de uso nas condições adequadas de temperatura entre 2ºC e 8ºC. “As empresas estudam como produzir vacinas que durem mais tempo e que possam ter outro tipo de via de administração que não apenas a injetável.”

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