Você está aqui: Página Inicial / Sociedade / Duas Copas: uma para esquecer, outra para recordar

Sociedade

Crônica / Matheus Pichonelli

Duas Copas: uma para esquecer, outra para recordar

por Matheus Pichonelli publicado 14/07/2014 17h27, última modificação 14/07/2014 18h17
Uma lista com dez momentos esquecíveis e dez inesquecíveis do Mundial de 2014
david.jpg

Dez motivos para lembrar



Neymar. O camisa 10 da seleção brasileira se salvou do naufrágio. Enquanto esteve em campo, mostrou por que é um dos maiores talentos da atualidade: correu, driblou, marcou quatro gols, deu duas assistências em bola parada e ainda converteu a cobrança derradeira contra o Chile na decisão por pênaltis. Aos 22 anos, mostrou maturidade e abriu caminho para uma trilha vitoriosa na história das Copas. [Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil]



James Rodrigues. O artilheiro da Copa foi o maestro da melhor campanha da Colômbia na história dos Mundiais. Um talento raro, de passes e chutes precisos e visão de jogo apurada que encantou o mundo. Após a eliminação de sua equipe, foi amparado pelo brasileiro David Luiz e recebeu aplausos de rivais e dos torcedores do Castelão, numa das mais belas imagens do torneio. [foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil]



Messi. Finalmente o craque do Barcelona, quatro vezes eleitos o melhor jogador do mundo, deu as caras em uma Copa. Marcou gols decisivos na primeira fase, e costurou a defesa da Suíça para encontrar Di Maria livre para chutar no canto e abrir passagem à classificação da equipe em seu momento mais dramático na Copa. Mesmo apagado na final, foi eleitor o melhor jogador do torneio. [Foto: André Borges/ ComCopa]



Os gols
. Foram 171 gols ao longo da competição, número que igualou a Copa de 98. Difícil vai ser escolher o mais bonito deles: Cahil contra a Holanda, James Rodrigues contra o Uruguai, Van Persie contra a Espanha, Messi contra o Irã, David Luiz contra a Colômbia. Os torcedores vão passar os próximos quatro anos vendo e revendo no YouTube aos gols antológicos desta Copa. [Foto: Rafael Ribeiro / CBF]



A máquina alemã
. A equipe que iniciou a campanha com uma sacolada de 4 a 0 sobre Portugal protagonizou o maior massacre sofrido por uma seleção campeã do mundo, nas semifinais, contra o Brasil: 7 a 1. Mas nem só de gols viveram os alemães durante o Mundial. Os jogadores da equipe dançaram com índios pataxós, soltaram pipa, nadaram, jogaram para a torcida anfitriã nas redes sociais, comemoraram com funcionários do hotel a vitória brasileira contra o Chile, tiraram fotos com ídolos locais, vestiram a camisa dos times brasileiros e cantaram o hino do Bahia com torcedores. Estavam mais em casa do que os próprios anfitriões. [Foto: J.P.Engelbrecht/ PCRJ]



Forças improváveis
. Costa Rica, Grécia, Colômbia, Argélia. Poucos apostavam no sucesso dessas equipes no Mundial. Com a bola em campo, elas surpreenderam e mostraram que só tradição não ganha jogo, e desbancaram times favoritos como Itália, Uruguai, Inglaterra, Costa do Marfim e a Rússia de Fabio Capello. [ Foto: Amanda Oliveira/GOVBA]



Os grandes jogos
. Viradas, reviravoltas, prorrogação, decisão nos pênaltis. A prateleira dos melhores jogos da história das Copas ganhou pelo menos dez jogos antológicos, como os 3 a 2 da Holanda sobre a Austrália, os 2 a 1 do Uruguai sobre a Inglaterra, os 2 a 1 da Grécia sobre a Costa do Marfim, os pênaltis da Holanda contra a Costa Rica e a terceira final entre Alemanha e Argentina da história. [ Camila Domingues/ Palácio Piratini]



Grandes defesas
. Oshoa, Navas, Tim Howard, Krul, Enyeama, M'Bolhi, Romero, Neuer. Dava para montar uma seleção apenas de goleiros decisivos nesta Copa, seja na hora dos pênaltis, seja na hora dos milagres, seja com a bola dos pés, caso do goleiro alemão, que poderia ser eleito um dos melhores zagueiros do Mundial. Destaque para Krul, terceiro goleiro do time holandês, que entrou em campo apenas para as penalidades contra a Costa Rica, assustou os adversários e segurou duas cobranças. [Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil]



Klose
. O segundo gol do massacre contra o Brasil levou o grandalhão alemão a superar o brasileiro Ronaldo no topo dos maiores artilheiros da história do Mundial: 16 gols em quatro participações. [ Marcello Casal Jr/ Agência Brasil]



Farid Mondragón. Em 24 de junho, o goleiro colombiano entrou para a história como o jogador mais velho a atuar em uma Copa do Mundo. Ele entrou em campo aos 38min do segundo tempo da vitória por 4 a 1 da Colômbia sobre o Japão. Aos 43 anos, o arqueiro do Deportivo Cali superou o antigo recordista, o camaronês Roger Milla, que tinha 42 quando participou da Copa de 1994.

Dez motivos para esquecer*



Cristiano Ronaldo
. Uma pena que o maior jogador da atualidade, segundo a Fifa, não contou com uma equipe à altura do seu talento. Com apenas um gol, o craque do Real Madrid naufragou em meio a uma campanha irregular da seleção portuguesa com uma derrota, um empate, uma vitória e a queda ainda na primeira fase. [Foto: Prefeitura de Campinas]

Decepção africana. Não adiantou beijar os maços de dólares enviados de avião ao Brasil para debelar uma crise na seleção de Gana, que reclamava do atraso de pagamentos e ameaçava não entrar em campo no último jogo da primeira fase, contra Portugal. A equipe entrou, foi derrotada, e voltou para casa mais cedo, a exemplo de Camarões e Costa do Marfim. A atitude marcou negativamente a passagem da equipe pelo Brasil.



Campanha do Brasil
. A equipe de Luiz Felipe Scolari bateu todos os recordes negativos em uma Copa: maior derrota de sua história, maior derrota de um campeão em Copas, maior derrota de um anfitrião, defesa mais vazada...uma campanha medíocre que não salvou os poucos espasmos de criatividade de uma equipe que em nenhum momento engrenou. [ Ricardo Stuckert / CBF]



Lesão de Neymar
. A joelhada imprudente do lateral Zuñiga tirou do Brasil sua maior arma. A fratura da terceira vértebra da coluna impediu a participação de Neymar nas duas últimas partidas e tirou parte do brilho do Mundial. [Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil]

Perseguição a Zuñiga. Algoz de Neymar, o lateral da Colômbia se transformou em alvo da ira de torcedores que usaram as redes sociais para atacar o atleta com um arsenal e brutalidade. Entre ofensas racistas e ameaças de linchamento, chegaram ao absurdo de postar imagens da filha do jogador com insultos e apologia ao estupro. Foi a prova de que alguns usuários da rede não deveriam ter saído jamais de suas cavernas.



Mordida de Suárez
. Heroi do Uruguai na partida contra a Inglaterra, Suarez jogou no lixo a possibilidade de brilhar em sua segunda Copa ao morder, diante das câmeras, o zagueiro Chiellini na vitória contra a Itália. A mordida rendeu, além de piadas até o fim do Mundial, uma suspensão draconiana: nove jogos de gancho e a proibição de participar de qualquer atividade fora de campo com sua seleção. Um dos pontos mais baixos de uma Copa marcada pelo alto nível dos embates. [Foto: Renata Silva/Setes]

Erros de arbitragem. Foi um festival de erros: os pênaltis mal marcados sobre Fred e Robben, gols mal anulados de Bósnia e México, falta mal marcada sobre Hulk contra a Colômbia, impedimentos mal assinalados e, sobretudo, botinadas não punidas. A ausência de controle passou longe do padrão Fifa exigido pela entidade máxima do futebol.



O tombo dos gigantes
. Favoritos até o início da Copa, equipes como Itália e Inglaterra fizeram campanhas pífias e caíram logo na primeira fase. Uruguai sucumbiu nas oitavas e a França, nas quartas. Nem mesmo a “ótima geração” belga conseguiu empolgar. No fim, times menos badalados roubaram a cena e impediram nomes como Pirlo, Baloteli, Rooney ou mesmo Cristiano Ronaldo de mostrar no Brasil o seu melhor futebol. [Michael Dantas / Agecom]

Ausências. Ao todo, 53 convocados não puderam atuar no Mundial devido a lesão, casos de Thiago Alcantara, Van der Vaart, Rossi, Reus, Falcão Garcia e Ribéry, um dos melhores jogadores da atualidade. Destaque negativo também para os desfalques ao longo da Copa, como os de Neymar, de Jong e Di Maria. Com eles em campo, a história do Mundial poderia ter sido outra.



Vaias e xingamentos
. A torcida que deveria fazer uma festa na Copa das Copas mostrou também seu lado raivoso. Diante das câmeras de todo o mundo, vaiou e xingou como quem atira ovos e pipocas no picadeiro. Não poupou o hino de equipes rivais nem a presença de autoridades no estádio, caso da presidenta Dilma Rousseff. [Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil]

*A seleção de lances para esquecer não leva em conta os incidentes, acidentes, mortes, remoções forçadas e prisões registradas antes, durante e depois do Mundial. Há lances que não estavam diretamente relacionados aos destinos dos jogos nem merecem ser esquecidos.