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Dieese/Seade: emprego continuará crescendo em 2011

por Editor CartaCapital — publicado 23/12/2010 08h55, última modificação 23/12/2010 08h55
Técnicos destacam que renda também voltou a subir, após anos de estagnação. Sinais são positivos, mas falar em pleno emprego ainda é exagero, afirmam

Técnicos destacam que renda também voltou a subir, após anos de estagnação. Sinais são positivos, mas falar em pleno emprego ainda é exagero, afirmam
Por: Vitor Nuzzi*
São Paulo – O mercado de trabalho continua com sinais positivos e deve continuar assim no ano que vem, segundo os técnicos da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No entanto, eles veem exagero em afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ao comentar os resultados da pesquisa do IBGE falou que o país vive um cenário de pleno emprego.
Os números da pesquisa Seade/Dieese, divulgados nesta quarta-feira (22), mostram um mercado de trabalho aquecido, embora com crescimento menos intenso. O fator positivo na última divulgação de 2010 foi a expansão do rendimento médio dos ocupados, com alta de 9,1% na comparação anual, chegando a 13% na região metropolitana de São Paulo e a 18,1% em Recife. Assim, a massa de rendimentos cresceu 13,9% em 12 meses. "Esse é o grande patrimônio do país para crescer. É o nosso diferencial", afirmou o coordenador de análise do Seade, Alexandre Loloian, destacando a importância do mercado interno para a sustentação do crescimento econômico.
Em novembro, a taxa média de desemprego nas sete áreas pesquisadas (Distrito Federal e regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) ficou relativamente estável, passando de 10,8% no mês anterior para 10,6%, a menor dos últimos dois anos. O ligeiro recuo na taxa ocorreu, principalmente, pela saída de pessoas do mercado: foram 32 mil pessoas a menos na PEA (População Economicamente Ativa) e 12 mil ocupações a mais, resultando em 45 mil desempregados a menos, para um total estimado em 2,355 milhões. A taxa de desemprego em São Paulo foi, mais uma vez, a menor em 20 anos.
Na comparação com novembro de 2009, os resultados são mais significativos. A PEA tem 247 mil pessoas a mais (crescimento de 1,1%), enquanto o mercado de trabalho abriu 731 mil vagas (3,8%). Com isso, as sete regiões têm 484 mil desempregados a menos (queda de 17%). A ocupação em 12 meses cresceu de forma menos intensa (3,8%, ante 4,5% em outubro e 4,7% em setembro). "Apesar dessa diminuição, é um resultado bastante positivo para o período", afirmou a economista Patrícia Lino Costa, do Dieese.
Ela lembrou que o mercado mantém trajetória de expansão do emprego com carteira assinada."Há um movimento de formalização em curso nas regiões metropolitanas", afirmou. De outubro para novembro, o emprego com carteira cresceu 1,1% (103 mil a mais). Em 12 meses, a alta é de 8,3%, com acréscimo de 722 mil vagas formais.
Do total de 731 mil vagas criadas em 12 meses, até novembro, 442 mil foram abertas no setor de serviços (alta de 4,3%), 197 mil na indústria (6,9%), 107 mil no comércio (3,4%) e 74 mil na construção civil (6,1%). O item "outros", que inclui principalmente o emprego doméstico, eliminou 89 mil ocupações (-5,5%).
As menores taxas de novembro foram registradas em Belo Horizonte (7,5%), Porto Alegre (7,7%) e Fortaleza (8,3%) e a maior, em Salvador (14,8%), chegando a 13,5% em Recife e a 13,2% no Distrito Federal. Na comparação anual, todas têm reduções significativas, com destaque para Recife (queda de 23,7%) e Belo Horizonte (-23,5%). Apesar de continuar com a maior taxa, Salvador registrou queda de três pontos percentuais em um ano (de 17,8% para 14,8%). Ainda em Recife, foi registrada a maior alta percentual da ocupação em 12 meses (9,4%, o equivalente a 138 mil vagas a mais).
Na região metropolitana de São Paulo, que compreende quase 50% do universo pesquisado, a taxa de desemprego passou de 10,9%, em outubro, para 10,7%, a menor para o mês desde 1991 (10,2%) e a menor de toda a série desde dezembro daquele ano (10,5%). Em 12 meses, são 140 mil pessoas a mais no mercado (crescimento de 1,3%), 347 mil ocupados a mais (3,8%) – sendo 257 mil com carteira (5,6%) – e 207 mil desempregados a menos (-15,3%).
"O único setor que não recuperou o nível pré-crise é a indústria, mas já está quase igualando", comentou Loloian. Segundo ele, o setor tem sido afetado pela valorização do real. "Uma parcela importante da demanda está sendo desviada para o produto importado." Assim, na região do ABC a taxa de desemprego subiu de 9,3% para 9,7%, mas ainda assim foi a segunda menor da série histórica - e é a única área com taxa abaixo de dois dígitos. Na capital, a taxa passou de 10,7% para 10,3%.
Investimentos
Mas o técnico lembrou que o mercado de trabalho mantém um "processo virtuoso" de criação de empregos de boa qualidade. "De cada 10 vagas criadas, nove são com carteira", afirmou Loloian, destacando o crescimento do rendimento médio dos ocupados (4,1% no mês e 13% no ano). "Há anos dizíamos que o emprego crescia, mas o rendimento não saía do lugar. Agora, começou a sair. Esse é o nosso patrimônio. Temos um crescimento sustentado pelo mercado interno." Exatamente por isso, ele não vê justificativa para o aumento dos juros, já que a inflação tem se concentrado nos produtos ligados à alimentação. Além disso, o técnico observa que em São Paulo, onde a pesquisa é feita desde 1985, o rendimento "ainda não recuperou os níveis da década de 80, em termos de poder de compra".
Tanto para Loloian como para Patrícia, o importante é aumentar o ritmo de investimentos. Eles consideram boas as perspectivas para 2011, ainda que a economia não cresça tanto quanto este ano.
Sobre o pleno emprego, eles afirmam que é preciso considerar que, apesar dos resultados melhores, as sete regiões têm mais de 2,3 milhões de desempregados, sendo 1,1 milhão apenas em São Paulo. "O mercado de trabalho é heterogêneo", diz Loloian. "Você tem segmentos do mercado em que o pleno emprego existe. Mas dizer isso para o conjunto da economia é absurdo."
Outro indicador positivo, referente a São Paulo, mostra redução do tempo de procura por emprego, que em novembro chegou a 32 semanas, ante 34 em outubro e 38 em novembro de 2009. O período é equivalente ao de 1997. No pico, já superou 60 semanas.
 * Matéria originalmente publicada pelo Rede Brasil Atual

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