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Diálogos na periferia constroem Observatório Popular de Direitos Humanos

por Mariana Melo — publicado 19/12/2013 16h26
Encontros aconteceram no segundo semestre de 2013 e deram origem a uma ferramenta de denúncia e proteção à população da Zona Sul
percurso

Convite para o lançamento do Observatório e divulgação dos levantamentos feitos pelos Encontros

Na sexta-feira 20, será lançado o balanço dos encontros promovidos pelo Fórum Percurso em Defesa pela Diversidade Cultural - Juventude Periférica. As reuniões, que desde agosto acontecem em bairros da periferia da Zona Sul de São Paulo, fomentaram diálogos entre membros da sociedade civil e de representantes de secretarias públicas e foram responsáveis pela criação do Observatório Popular dos Direitos Humanos, ferramenta que auxiliará a população a denunciar abusos e violação de seus direitos.

Segundo Thiago Vinícius, 24 anos, agente cultural e integrante da Agência Solano Trindade, que assessora o fórum, as queixas serão recolhidas pelo Observatório por uma central e encaminhadas às autoridades responsáveis de maneira mais ágil e direcionada, graças a parcerias do fórum com secretarias públicas. A ideia é fazer um apuramento qualitativo e facilitar o encaminhamento das denúncias, para que a população não dependa apenas das ouvidorias da prefeitura. “Por exemplo, uma garota que tem o irmão assassinado pela polícia, não precisará falar com uma secretária eletrônica” diz o agente. Thiago esclarece que a iniciativa de criar o Observatório partiu de uma inteligência coletiva, surgida nas reuniões do Percurso.

As reuniões, sempre abertas ao público, contavam com a participação de movimentos sociais e organizações civis. A população presente era constituída por estudantes, líderes comunitários, índios e representantes de igrejas e terreiros locais.

De agosto a dezembro foram dois encontros por mês. No primeiro mês, no Capão Redondo e na Vila das Belezas, foi debatido o conceito de Economia Solidária, para orientar a população da periferia a traçar estratégias de desenvolvimento local próprias, “focado nas pessoas, não no capital”, segundo Thiago. Em setembro, as discussões centraram direitos humanos: o primeiro encontro tratou sobre a questão indígena e foi realizado na aldeia Mbya Tenonde Porã, no bairro Barragem. O segundo, no Campo Limpo, tratou sobre violência contra mulheres e prática da homofobia. Em outubro, no Capão Redondo, discutiu-se, no Jardim Mitsutani e no Parque Maria Helena, a situação dos idosos e da juventude. Novembro recebeu os temas Educação e Cultura Popular.

Para 2014, Thiago diz que o Percurso irá reforçar sua representação da sociedade civil da periferia. A ideia é passar as ações para outras regiões da cidade. Em janeiro, será realizado um encontro que tratará da defesa da diversidade cultural, no qual os organizadores do Percurso irão ajudar no preenchimento dos projetos do programa Vai pelos grupos culturais interessados. “A intenção é transforma-los em autônomos na defesa da própria cultura” conta Thiago.

Para mais informações sobre o observatório, acompanhe a página do Facebook do projeto.