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Sociedade

Marcha das Mulheres Negras

Dez mil ativistas negras marcham contra a discriminação e a violência

por Revista Fórum — publicado 18/11/2015 21h21, última modificação 19/11/2015 10h15
Manifestantes chamaram a atenção para a necessidade de políticas públicas de promoção da igualdade; um policial foi preso por atirar
Marcha das Mulheres Negras

Evento demonstrou capacidade de mobilização das mulheres negras brasileiras

Na capital do país, o dia foi de luta contra o racismo. Ativistas de norte a sul se reuniram nesta quarta-feira 18 para a 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, que tomou as ruas da cidade.

Segundo a organização, cerca de 10 mil pessoas participaram do ato, que teve por objetivo chamar a atenção para o combate à discriminação e para a necessidade de ampliação das políticas públicas de promoção da igualdade.

De acordo com o Mapa da Violência 2015, divulgado neste mês pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, a quantidade de mulheres negras mortas cresceu 54% de 2003 a 2013, enquanto o número de mulheres brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período.

As estatísticas mostram que os desafios ainda são grandes para a superação do preconceito e da violência contra este que é considerado o segmento mais vulnerável da população.

Para a ministra Nilma Lino Gomes, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o evento mostra a capacidade de articulação e mobilização das mulheres negras de todo o Brasil. Ela destaca a importância de valorizar o protagonismo de pessoas que normalmente têm poucas oportunidades de expressão.

Evento demonstrou capacidade de mobilização das mulheres negras brasileiras

“Se for pensar na luta e na força, elas têm esse comando todo dia, só que muitas vezes é invisibilizado na nossa sociedade por um imaginário racista, por um imaginário sexista. Então, a Marcha é um momento de as mulheres negras colocarem essa visibilidade nacional e internacionalmente”, ressalta.

Essa é também a opinião da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), que fez questão de pontuar a baixa representatividade do setor na política e a necessidade de vigilância para que não haja retrocessos nas discussões que permeiam o Congresso Nacional.

A colega de partido e ex-ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (RS), lembrou que há apenas três parlamentares negras na Câmara e isso precisa ser mudado. Para a deputada, é fundamental que essa população ocupe os espaços de decisão e, assim, possa lutar por mais direitos. “Elas ainda são a base da pirâmide”, alerta.

Evento demonstrou capacidade de mobilização das mulheres negras brasileiras

Policial foi preso por atirar durante Marcha 

Um homem foi preso em Brasília, no início da tarde da quarta-feira 18 por disparar quatro tiros para o alto durante a Marcha das Mulheres Negras na Esplanada dos Ministérios (assista a dois vídeos no pé deste texto). Ele é policial civil e acampava em frente ao Congresso Nacional junto a outros manifestantes que pedem a volta dos militares ao poder. Houve um princípio de tumulto entre as pessoas, que correram ao ouvirem os disparos.

De acordo com informações da Polícia Militar, o homem alegou ter se sentido ameaçado por conta do protesto. O objetivo do ato era justamente reivindicar políticas de combate à violência e à discriminação contra as mulheres negras, reunindo cerca de 10 mil ativistas de todo o país. 

 

*Publicado originalmente na Revista Fórum.

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Fátima repudia ataque de golpistas contra mulheres negrasA senadora Fátima Bezerra repudiou duramente a atitude de manifestantes pró-golpe que se encontram acampados irregularmente há mais de um mês em frente ao Congresso Nacional e que atacaram, com armas e bombas caseiras, no início da tarde desta terça-feira (18), as mais de 10 mil mulheres que participam da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília. No momento em que a senadora gravava um vídeo reafirmando seu apoio ao movimento e garantindo que o “grito das mulheres” iria chegar ao Congresso Nacional, os manifestantes pró-golpe atiraram contra as mulheres da marcha. “Isso é revoltante. A rua é um espaço democrático, onde todos e todas têm o direito de se manifestar, proclamando seus direitos, suas lutas, seus sonhos”. Fátima disse esperar que os as agressões contra as mulheres sejam apuradas e punidas com todo o rigor.“Estas mulheres estão desde cedo se manifestando pacificamente contra a opressão, o fascismo, o racismo, a violência, na tentativa de barrar essa agenda conservadora que tomou conta do Congresso Nacional e são covardemente atacadas e impedidas de chegar ao Congresso Nacional por esses golpistas”, enfatizou a senadora, que participou da marcha pela manhã.

Posted by Fátima Bezerra on Wednesday, November 18, 2015