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Sociedade

Distribuição de renda

Desigualdade preocupante

por Lindbergh Farias publicado 26/08/2013 09h09, última modificação 26/08/2013 09h15
Entre as 200 melhores cidades brasileiras, o estado do Rio tem somente dois municípios. Muito pouco para um estado rico
Tânia Rêgo / ABr
manguinhos

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Nos últimos anos, a desigualdade de renda vem sendo reduzida no estado do Rio de Janeiro em um ritmo menor que a média do País. De 2001 a 2011, a desigualdade no Rio, medida pelo índice de Gini, caiu 6,5%, quase a metade da queda registrada no Brasil, que ficou em 11,1%. Segundo os últimos dados oficiais, o estado do Rio é o que apresenta o menor grau de igualdade na distribuição de renda entre os estados do Sul e do Sudeste – e é, também, o único estado rico que tem uma desigualdade maior que a do Brasil.

O índice de Gini varia de 0 a 1, sendo que 0 representa a situação total de igualdade e o valor de 1 significa completa desigualdade. Para efeito de comparação, dos estados do Sul e do Sudeste, só o Rio de Janeiro tem o índice acima de 0,5 – está em 0,532. Claro que essa situação se reflete também na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Considerando as oito maiores regiões metropolitanas do País, segundo o tamanho das economias e das populações, a do Rio foi a que menos reduziu a desigualdade de 2001 a 2011, queda de apenas 5,1%. As maiores reduções de desigualdade foram registradas nas regiões metropolitanas de Fortaleza (-17,4%) e de Curitiba (-14,4%), que são de regiões diferentes.

A redução mais lenta da desigualdade no Rio de Janeiro pode ser explicada pelo perfil de renda da população. Entre 2000 e 2010, a participação dos 10% mais ricos no total da renda do Brasil foi reduzida em 5,8%. No mesmo período, esse número para os 20% mais pobres aumentou 31%. Houve uma melhora na distribuição de renda no País.

Já no estado do Rio, os dados mostram uma situação preocupante. Entre 2000 e 2010, a participação dos 10% mais ricos no total da renda do estado subiu 1%, ou seja, houve maior concentração da renda. No mesmo período, a participação dos 20% mais pobres cresceu apenas 14,7%, um crescimento modesto quando comparado com o do Brasil.

Não por acaso, entre 2001 e 2011, o Brasil reduziu o percentual de pobres em 46,6%, número que ficou em 40,8% no estado do Rio no mesmo período. Quando são comparados todos os estados das regiões Sudeste e Sul, o Rio de Janeiro foi o que menos reduziu a pobreza. Alguns estados tiveram redução de quase 70% na pobreza, como Espírito Santo (-69,4%) e Paraná (-67%).

O índice de desenvolvimento humano (IDH) do Brasil teve uma melhora de 18,8% de 2000 a 2010 e, neste mesmo período, o índice subiu 14,6% no Estado do Rio. Entre as 27 unidades da federação, o Rio de Janeiro está entre os cinco estados que menos aumentaram o IDH nesses dez anos.

Entre as 200 melhores cidades brasileiras segundo o ranking de IDH, o estado do Rio tem somente duas cidades. Muito pouco para um estado rico.

Essa é a descrição verificada no Atlas do Desenvolvimento Humano 2013, divulgado recentemente pelo Ipea e o Pnud.  É o que revelam também as pesquisas do IBGE. É uma descrição preocupante.