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Política

Matheus Pichonelli

'Teu negócio é amor com homossexual'

24.11.2011 17:23

Deputado sugere que Dilma seja gay e ganha holofote

Demorou, mas ele apareceu de novo. Dessa vez, sem ajuda de programa humorístico para jogar no ventilador o mais rudimentar discurso de ódio. Jair Bolsonaro, deputado federal do PP fluminense, que andava sumido dos trending topics do Twitter, resolveu nesta quinta-feira 24 usar o plenário da Câmara para subir de novo no palanque que deu a ele mais fama do que qualquer projeto em benefício do estado pelo qual foi eleito.

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que resgatou verborragia do ódio. Foto: Brizza Cavalcante/Agência Câmara

Monotemático, trouxe de novo o assunto “kit anti-homofobia” para o centro do debate. Justo o “kit anti-homofobia”, projeto do Ministério da Educação para combater o preconceito contra homossexuais nas escolas e que sofreu tanto enxovalho da patrulha fundamentalista do Congresso, Bolsonaro à frente, que precisou ser engavetado.

Provavelmente no intuito de quebrar o período de reclusão que à mediocridade o condenava, Bolsonaro chamou os holofotes novamente para ele com um alvo velho e outro novo. O velho, a comunidade gay brasileira. O novo, a presidenta Dilma Rousseff.

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A verborragia respingou na presidenta enquanto o deputado usava a tribuna para sustentar que o “o kit gay não foi sepultado ainda”. Foi a deixa para sugerir que a petista é também homossexual e que ela mente ao supostamente esconder os motivos que a levam a defender o direito dos homossexuais no País. “Dilma Rousseff, pare de mentir. Se gosta de homossexual, assuma. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma. Mas não deixe que essa covardia entre nas escolas do primeiro grau”, discursou o deputado.

Dito e feito. Em instantes, o parlamentar já figurava entre os assuntos mais falados do dia na internet – mas, até o início da noite, talvez lamentasse o fato de ser mais falado que Luan Santana e menos do que Freddie Mercury, gay assumido que morreu há 20 anos e ainda é celebrado por fãs que não o esquecem.

Como bom machão, que banca o que diz, Bolsonaro correu para a imprensa para dizer que o que disse não era bem o que queria dizer. Foi assim que, ao site Terra Magazine, atribuiu a interpretação de sua fala às nuances da língua portuguesa e negou que tenha chamado Dilma de homossexual. “Eu posso até pensar o quiser contra ela, mas não vou desqualificar o nível da importância do que está sendo tratado aqui”, disse.

Ao portal G1 ele afirmou que pediu apenas esclarecimentos sobre “o caso de amor que ela (Dilma) tem com o grupo LGBT”. E se saiu com esta: “Quero saber qual o motivo da simpatia com esse grupo. Que ela é mentirosa, eu não tenho nenhuma dúvida. Não vou deixar de acusá-la de mentirosa porque ela é presidente”.

O tempo em que serviu as Forças Armadas não foi suficiente para inspirar respeito a minorias que hoje, estranhamente, causam arrepios ao deputado, que escapou dos processos disciplinares abertos contra ele em ataques recentes à comunidade gay.

“Bolsonaro pode ter cometido crime de injúria pela afirmação que fez sobre a presidenta Dilma”, escreveu em seu Twitter a senadora Marta Suplicy.

De  toda forma, a polêmica estava criada – e um processo a mais, outro a menos, parece fazer pouca diferença para quem tenta mostrar à parcela fundamentalista da população, seu eleitorado mais fiel, que alguém ainda fala alto em nome deles. Assim, para cada avanço da comunidade gay em direção à consolidação de seus direitos (entre eles, o de existir), há um Bolsonaro na patrulha tentando rolar a pedra ladeira abaixo. O obscurantismo agradece.

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