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Delivery online entrega 30 "jumbos" por semana

por Marsílea Gombata publicado 05/05/2014 05h23
Regras são arbitrárias e variam segundo diretor de disciplina de cada unidade
Reprodução
jumbo

Serviço Jumbo CDP atende unidades prisionais do estado de São Paulo

Dono de uma confecção de roupas, o empresário Sebastião Pereira Júnior teve de lidar, certa vez, com uma tarefa inusitada: fazer o uniforme do filho de uma conhecida que acabara de ser preso. Foi quando a fábrica de roupas infantis em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, começou a ser transformada em sua maior fonte de renda hoje: o serviço delivery de "jumbos", a lista de produtos alimentícios, de higiene e uso pessoal que os presos são autorizados a receber nas unidades prisionais.

“Percebi que as exigências para a roupa e alimentos que podiam ser entregues no CDP onde estava, em Mogi das Cruzes, eram muitas, e que a maioria dos familiares de presos não tinha conhecimento sobre as restrições e procedimentos”, afirma Júnior. “Decidi fazer um blog para auxiliar essas famílias. A ideia era colocar a lista do jumbo, escrever sobre o que cada unidade pedia.”

Como já vendia pela internet as peças de uniforme exigidas pelas unidades prisionais, o empresário achou que não custaria comercializar também os outros itens, assim como o serviço de entrega. “Hoje entregamos o jumbo em todos os CDPs e penitenciárias do estado de São Paulo”, conta sobre o total de 150 unidades. “Cada uma tem uma regra disciplinar, que varia de acordo com o diretor e pode mudar de um dia para o outro.”

O empresário, que faz uma média de 30 entregas semanais, conta que as razões por trás das regras são aleatórias. “Tem certas coisas que não entendo. Por exemplo, a gente não pode mandar salgadinho de pimenta, mas pode o de calabresa. Ou pode enviar suco de laranja e limão em pó, mas não o de maracujá”, contou.

A mesma arbitrariedade é observada em relação à entrada de livros, jornais e revistas, afirmou Júnior. “Livro de capa dura nunca deixam entrar. Revista semanal é difícil e, muitas vezes, proibida”, contou. “Muitas coisas a gente não consegue entender a razão, mas temos de obedecer.”