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Comissão da Verdade da Câmara de SP pede perícia sobre morte de JK

por Redação — publicado 03/09/2013 19h49, última modificação 03/09/2013 20h05
Em ofício, vereador Gilberto Natalini solicita ao governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, análise sobre fragmento metálico no crânio do motorista

A Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, solicitou ao governador do estado de Minas Gerais, Antônio Anastasia (PSDB), perícias técnicas para esclarecer as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrida em 22 de agosto de 1976.

Em ofício, o vereador Gilberto Natalini (PV), presidente da comissão, pede que sejam realizadas duas perícias "imprescindíveis para esclarecer o verdadeiro motivo da morte do ex-presidente". Enquanto uma diz respeito a uma nova análise técnica sobre o fragmento metálico encontrado no crânio do motorista Geraldo Ribeiro, que conduzia o automóvel no qual ele e JK viajavam pela Rodovia Presidente Dutra, a segunda perícia solicitada pela comissão tem como finalidade a análise técnica detalhada no crânio de Ribeiro. Esta justifica-se, segundo a Comissão da Verdade Vladimir Herzog, pelo fato de ter sido constatado um furo suspeito no crânio do motorista, durante a exumação em 1996, o que poderia indicar a possibilidade de ter sido causado por artefato de arma de fogo.

"Entendemos, como foi levantado em 1996 pelo respeitável perito Alberto Carlos de Minas, após a exumação dos restos mortais do motorista Geraldo Ribeiro, não ser crível a justificativa de que o fragmento metálico era constituído por restos de "prego do caixão". Afinal, o objeto metálico, conforme declarações do perito Alberto Carlos de Minas, tinha muitas semelhanças com um projétil de arma de fogo, fabricado para uso exclusivo das Forças Armadas brasileiras, conhecido como 'batente'", lembra o órgão no documento.

Envolta em polêmicas, a morte do ex-presidente é um dos principais pontos a serem desvendados pela comissão. O órgão, que busca ajuda da Comissão Nacional da Verdade para investigar as circunstâncias que envolveram a morte de JK, realizou em 13 de agosto uma audiência para esclarecer o acidente que o teria matado.

Serafim Melo Jardim, secretário particular de JK em seus últimos nove anos de vida e ex-chefe de gabinete durante seu governo em Minas Gerais, disse à comissão ter certeza que o ex-presidente vinha sendo vigiado. "Eu acompanhei o presidente desde que voltou do exílio. Sempre que viajávamos ele dizia: 'Estão querendo me matar'."