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Com bombás de gás lacrimogêneo, PM dispersa manifestação contra Alckmin e Cabral

por Piero Locatelli — publicado 30/07/2013 21h08, última modificação 31/07/2013 09h20
Ato durou menos de uma hora, antes da Polícia Militar agir contra os manifestantes. Bancos e concessionárias foram depredados por Black Bloc
NELSON ALMEIDA / AFP PHOTO
black bloc sp ferido

Manifestantes ferido durante protesto na terça-feira 30

A Polícia Militar de São Paulo voltou a dispersar uma manifestação da mesma forma como fazia antes de meados do mês de junho, quando seus abusos ganharam atenção e os protestos começaram a ser tratados de forma mais amena. Nesta terça-feira 20, manifestantes se reuniram no largo da Batata, zona oeste da capital. Chamado pelo Facebook, o ato acontecia contra o governador paulista, Geraldo Alckmin, e contra Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro. A retomada da Polícia já havia sido prometida em sua página na internet, onde a PM afirmou que agiria “com a energia necessária para evitar atos criminosos,” após agências bancárias e bases policiais terem sido danificadas na avenida Paulista na última sexta-feira.

Aproximadamente 300 pessoas estavam no início da manifestação, desceram pela avenida Brigadeiro Faria Lima e depois entraram na avenida Rebouças. A Polícia Militar estava nas ruas com um efetivo pouco menor que o dos manifestantes, com 220 oficiais segundo a própria corporação.

Nenhum grupo organizado se apresentava no protesto, que não tinha partidos ou movimentos sociais identificados. A única grande faixa, na frente do ato, pedia a saída de Alckmin, onde o A do seu nome era grafado com o símbolo de anarquia. Atrás dele vinha um chamado black bloc–tática onde os manifestantes se vestem de preto, escondem seus rostos e não se identificam.

Os conflitos começaram cerca de meia hora após o início do protesto, a menos de um quilômetro do local de concentração. Alguns manifestantes haviam pichado paredes, quebrado o vidro de uma concessionária e de agências bancárias na região. A Força Tática e a tropa de Choque da Polícia Militar seguiram atrás dos manifestantes que, sem sucesso, tentavam colocar fogo em sacos de lixos para retardá-los.

A polícia começou a disparar bombas de gás lacrimogêneo na direção dos manifestantes, que corriam em direção à avenida Paulista. Vi sete pessoas sendo presas, enquanto os policiais se recusavam a falar o motivo das detenções e o departamento policial para onde elas estavam sendo levadas.

Cerca de vinte viaturas da Força Tática seguiam pela avenida do protesto. No meio deles, um policial filmava a manifestação de cima de um carro do corpo de bombeiros –ao contrário do que informou a CartaCapital, quando disse que as filmagens só eram feitas por helicópteros.

Arrastando seu corpo pelo asfalto da rua João Moura, um manifestante gritava e dizia que não conseguia levantar. Ele alegava ter sido atingido nas pernas, de costas, pelos policiais. Outros manifestantes deram água para ele antes dos policiais o arrastarem. Ele dizia não conseguir andar, mas os policiais gritavam “não consegue andar o que rapaz, levanta”.

Ao contrário dos protestos do mês de junho, esse protesto foi curto. Após pouco mais de uma hora, os manifestantes haviam se dispersado. A Polícia Militar se concentrou novamente na avenida Paulista, onde aguardava sem manifestantes.