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Sociedade

São Paulo

Cercado por policiais, MPL faz debate na praça da Sé

por Piero Locatelli — publicado 02/07/2014 19h54, última modificação 02/07/2014 20h06
Movimento protesta contra 'inquérito do Black Bloc'. Secretário de Segurança foi convidado, mas não compareceu
Piero Locatelli/CartaCapital
Movimento Passe Livre

À direita, cadeira reservada ao secretário de Segurança

Na tarde desta quarta-feira, 2, a praça da Sé, contava com um grande efetivo policial. Ao menos cinco carros da Tropa de Choque, dezenas de policiais da cavalaria e centenas de outros oficiais estavam no local no centro de São Paulo. Para entrar no metrô, era necessário desviar de escudos. Já a entrada na catedral ao lado era impedida pela PM.

O motivo era um debate organizado pelo Movimento Passe Livre, onde dez cadeiras de plástico se enfileiravam diante de duas centenas de espectadores. O secretário de segurança de São Paulo, Fernando Grella, foi convidado, mas somente seus subordinados da polícia estavam presentes.

A secretaria afirmou que não recebeu um convite formal, já o MPL diz que protocolou o convite na sua sede. Com a ausência de Grella, o debate contou exclusivamente com militantes de movimentos sociais, como a Mães de Maio, e o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral da População de Rua.

O ato foi convocado depois de Grella dizer que os militantes do MPL seriam levados à força para depor no inquérito 01/2013, conhecido como ‘inquérito do Black Bloc’. Nos últimos meses, oito integrantes do movimento e até alguns familiares foram chamados ao DEIC (Departamento Estadual de Investigações Criminais)..

As declarações de Grella foram feitas após um ato do movimento, no último dia 19, em comemoração a um ano da redução da passagem de ônibus em São Paulo. Naquele dia, uma concessionária de carros de luxo foi depredada. A secretaria responsabiliza o MPL pela depredação, que não contou com o apoio do grupo.

MPL se recusa a depor

Os oito integrantes do movimento que foram intimados têm se recusado a depor no inquérito para não legitimá-lo. Para isso, recorrem ao direito constitucional ao silêncio, alegando que nenhum cidadão é obrigado a produzir provas contra si mesmo.

O movimento também argumenta que o inquérito é ilegal política e juridicamente. Eles dizem que uma investigação deve ser aberta para apurar crimes, mas esta é voltada para investigar as manifestações de forma genérica.

No final de maio, eles se acorrentaram na porta da sede da secretaria, também no centro da cidade. Naquele dia, foi protocolado um habeas corpus preventivo para dar a eles o direito a não comparecer ao depoimento. O pedido foi negado e, nesta quarta-feira, foi feito um recurso do pedido no Tribunal de Justiça.

O debate acabou sem incidentes com a Polícia ou depredações. No dia anterior, outro debate organizado por movimentos sociais acabou com ao menos seis detidos, entre eles dois advogados que foram agredidos pela PM.