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Candidatos a beatos

por Sergio Lirio publicado 15/10/2010 10h55, última modificação 18/10/2010 11h19
Serra e Dilma, entregues à agenda do obscurantismo. Por Sergio Lirio

Nem José Serra nem Dilma Rousseff. O grande vencedor dessas eleições é o obscurantismo. Na maré da polêmica do aborto, a favor ou contra, o tucano e a petista optaram pelo proselitismo religioso. Parecem candidatos a beatos ou a papa. Bento XVI que se cuide.

Na semana do feriado de 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora, os candidatos bateram ponto na mais óbvia celebração, a Catedral de Aparecida, em São Paulo.

Ao menos Dilma absteve-se de comungar. Serra fez questão de aparecer nas fotos como um papa-hóstia.

Terá seguido o preceito religioso? As regras proíbem a comunhão quando se está em pecado. O tucano afirma não ser o motor da “guerra santa” contra a adversária movida a boataria e xingamentos – e que tem na lista de protagonistas sua mulher, Mônica Serra.

Mas a luz da santidade não paira sobre sua cabeça nesses momentos de negação. No mínimo, o presidenciável estimula a baixaria em busca de dividendos eleitorais. Na zona sul carioca, um panfleto de campanha do PSDB traz a assinatura de Serra abaixo da frase “Jesus é a verdade e a justiça”. E o mundo que imaginava que os pilares da Igreja Católica eram Pedro e Paulo.

Dilma, por seu lado, promete uma versão cristã da “Carta ao Povo Brasileiro”. Em encontro com lideranças evangélicas, acertou a divulgação de um documento no qual se compromete a vetar leis contra “os preceitos religiosos”. Nada de liberação do aborto ou
da união civil entre homossexuais.

Só faltou a defesa de punição para o sexo fora do casamento e a proibição da venda de camisinhas. Quais as chances de essa estratégia funcionar? Não terá o efeito contrário, de instigar nos fiéis a desconfiança de um compromisso feito às vésperas da decisão do segundo turno?

O certo é que a campanha petista ainda tateia um caminho para sair da defensiva. Durante o debate na Band, no domingo 10, Dilma foi mais incisiva e firme, mas os resultados ficaram aquém do esperado. Entre a quarta 13 e a quinta 14, três pesquisas de opinião foram divulgadas. A vantagem da candidata governista oscila de 9 pontos no Vox Populi (54,5% a 45,5% nos votos válidos) a 4,6 no Sensus (52,3% a 47,7%).
No Ibope, a diferença foi de 6 pontos (53% a 47%). No domingo 17, mesmo dia do segundo debate televisivo, está prevista a divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha. A duas semanas das eleições, o rumo da disputa ficará mais claro a partir da próxima rodada de levantamentos.

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