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Sociedade

Campanha mundial mira venda de álcool a adolescentes

por Redação — publicado 22/09/2014 12h06
"Dia de Responsa", que envolve cervejarias de 25 países, visita bares e estabelecimentos para conscientizar proprietários a pedirem RG e alerta sobre a combinação entre bebida e direção
Conscientização do consumo de álcool

Funcionario da AmBev mostra video sobre consumo responsavel de bebidas alcoolicas para dono de bar no Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro

O carioca Almerindo, que desde 1967 comanda o bar que herdou do pai, no bairro do Leme, na Zona Sul do Rio de Janeiro, teve sua rotina alterada na última sexta-feira, 19. Detrás de seu balcão, que durante aquela manhã contava com poucos clientes, Almerindo foi um dos alvos de uma campanha mundial promovida pela AmBev (Companhia de Bebidas da Américas) em prol do consumo responsável de bebidas alcoólicas. Após assistir a um vídeo de cinco minutos com orientações contra a venda de álcool para menores de idade, ele consentiu que fosse afixado na parede do seu estabelecimento um cartaz alertando sobre o consumo de bebidas por adolescentes.

“Não vendo bebida para menor“, afirmou Almerindo. “E não precisa nem ver RG. A gente que está do lado de cá do balcão há tanto tempo sabe quando é menor.”

Desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina, no artigo 81, a proibição da venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos. Porém, o artigo 243 diz ser crime a venda ou fornecimento de produtos que possam causar dependência física ou psíquica, sem especificar o álcool. Esse aparente detalhe faz com que Superior Tribunal de Justiça (STJ) baseie frequentemente suas punições na Lei das Contravenções, que prevê penas mais brandas.

Um das tentativas para tentar suprimir essa insegurança jurídica é o projeto de lei do senador Humberto Costa (PT-PE). Aprovado no Senado no ano passado e em tramitação na Câmara, o projeto prevê que os fornecedores de álcool a menores cumpram de dois a quatro anos de detenção, além de determinar multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil aos estabelecimentos punidos.

Ainda que a proibição exista, ela ainda é pouco eficaz no Brasil. Uma pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em sete capitais em 2012 mostrou que adolescentes que tentam comprar bebidas alcoólicas têm sucesso em 70% das vezes. Outro levantamento realizado pela mesma universidade divulgado este ano revela que um em cada quatro adolescentes com idades entre 14 e 18 anos consome álcool no País.

Conscientização do consumo de álcool
Rafael Oliveira, diretor da AmBev no Rio, e Peter Siemsen, presidente do Fluminense, afixam cartaz de campanha contra a venda de bebidas para menores de idade em bar no Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro
“Não tem como controlar tudo. Como é que o dono do bar vai impedir que um maior de idade compre a bebida e vá depois beber com um menor? Vai exercer poder de polícia? Nem pode. Mas o importante é você ir conscientizando”, afirmou Dalcídio Junqueira, superintendente da SindRio (Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro), parceira da AmBev na campanha “Dia de Responsa”, que no dia 19 visitou o bar de Almerindo.

Criada pela AmBev há quatro anos, o “Dia de Responsa” passou a figurar no calendário da Anheuser Busch InBev sob o nome de Be(er) Responsible Day, que envolve equipes das cervejarias nos 25 países em que atua. Este ano, só no Brasil, o evento contou com 3 mil funcionários realizando blitz em bares e restaurantes para conscientizar proprietários e consumidores também sobre os malefícios do excesso de álcool e da combinação entre bebida e direção.

As ações, que visam o treinamento de até 60 mil pessoas em todo o País até o fim do mês, tiveram o apoio de 23 ONGs no trabalho de conscientização, além de nomes ligados ao futebol, como o ex-jogador Cafu e Peter Siemsen, presidente do Fluminense, que participaram das blitz em São Paulo e no Rio, respectivamente. “A gente não quer lucro proveniente desse tipo de consumo”, explicou Rafael Oliveira, diretor da AmBev no Rio de Janeiro. “Muitos proprietários hoje não têm o hábito de pedir o RG. O que queremos é criar esse hábito no dono do bar, a noção de que pedir RG é uma coisa natural, não um constrangimento.”

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