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Ex-metrópole

Brasil vai às compras em Portugal

por AFP — publicado 10/10/2011 20h40, última modificação 11/10/2011 13h24
Os investimentos brasileiros em terras lusitanas chegaram a 1 bilhão de dólares em 2010, três vezes mais que no ano anterior

Por Claire de Oliveira*

RIO DE JANEIRO, Brasil (AFP) - Motor da América Latina, o Brasil aproveita a crise na Europa para investir cada vez mais em Portugal, sua antiga metrópole, que hoje é a porta de entrada das empresas brasileiras no Velho Continente.

"Nos últimos tempos, Portugal recebeu grandes investimentos brasileiros e há uma tendência a aumentar", declarou à AFP Maria Carolina Lousinha, do serviço econômico da embaixada de Portugal no Brasil.

Os investimentos brasileiros em Portugal ocorrem, sobretudo, em áreas como a aviação, a construção civil, a siderurgia e o setor bancário.

Portugal foi em 2010 o sexto destino dos investidores brasileiros, ao receber cerca de 1 bilhão de dólares do Brasil, atrás das Ilhas Caimã, dos Estados Unidos, da Holanda, de Luxemburgo e de Hong Kong, indicou à AFP uma porta-voz do Banco Central do Brasil.

Em 2009, os investimentos brasileiros em Portugal quintuplicaram em relação a 2008, com 310 milhões de dólares.

As grandes empresas brasileiras, como a fabricante de aviões Embraer, ou os grupos de construção civil Odebrecht e Camargo Correa são os maiores investidores, "mas, cada vez mais, as pequenas empresas buscam se implantar" em Portugal, acrescentou Lousinha.

A diplomata explicou que o mercado português atrai os brasileiros devido à língua comum dos dois países, por sua mão de obra qualificada e "pelo triângulo Brasil-Portugal-África", um mercado lusófono que os portugueses conhecem bem.

Além disso, uma série de privatizações estão previstas em Portugal - a companhia aérea TAP, a empresa de gestão de aeroportos, obras navais - e "os brasileiros estão muito interessados", explicou a responsável econômica da embaixada.

"Portugal é a porta de entrada do Brasil na União Europeia", ressaltou.

Em 2009, ao inaugurar a construção de uma usina em Évora, a 130 km de Lisboa, o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, assegurou que o objetivo é reforçar a relação com Portugal "e, de maneira mais ampla, com a Europa", um "dos maiores e mais importantes mercados" para sua empresa.

Para o porta-voz da Câmara de Comércio Brasil-Portugal em São Paulo, Caio Rocha Torrão, "os investidores brasileiros estão atentos às oportunidades em Portugal e na Europa que aumentarão com a crise, já que lá as empresas precisam de liquidez".

"As grandes empresas brasileiras seguirão investindo e as pequenas e médias empresas tenderão a fazer fusões e aquisições de empresas em Portugal e na Europa", ressaltou Torrão.

A Copa do Mundo de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil criaram "enormes oportunidades de investimento (para os europeus) em infraestrutura e serviços. E irá ocorrer uma reciprocidade com as empresas brasileiras", considerou.

Em março, um colunista do jornal britânico Financial Times lançou uma proposta provocadora para resolver a crise da dívida portuguesa: que Portugal abandone a União Europeia e seja anexado pelo Brasil, sua antiga colônia.

"Portugal seria uma grande província (do Brasil), mas estaria longe de ser dominante: 5% de sua população e 10% do PIB", afirmou.

A presidente Dilma Rousseff viajou em março a Portugal e ressaltou a disposição do Brasil em ajudar a nação europeia no contexto das dificuldades econômicas enfrentadas pelo Velho Continente.

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