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"Brasil não está pronto para combater o racismo na Copa"

por Paloma Rodrigues — publicado 15/04/2014 15h57, última modificação 15/04/2014 16h04
Afirmação é do ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB e primeiro negro a ocupar o cargo na instituição. Fifa e CBF deveriam ser mais duras, diz ele
Dani Pozo / AFP

Pelé, Garrincha e Eusébio enfrentaram o mesmo racismo que enfrentam hoje Tinga, Arouca e Neymar. É o que afirma o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Hedio Silva Junior. O advogado ainda critica a falta de ações por parte de entidades como FIFA e CBF e afirma que as campanhas promovidas pelas federações ficam no campo institucional e têm valor meramente simbólico. "É preciso comprometer o torcedor", afirma.

Silva Junior foi o primeiro a ocupar o cargo na instituição e diz que o combate ao racismo no Brasil ainda se faz no campo institucional. “As campanhas não são o bastante. Elas são positivas, mas elas têm mais um caráter simbólico, falta conteúdo”, diz ele. “O que há de novo é a visibilidade que se dá para o tema e também, até por esse motivo, a posição das vítimas mudou: antes se silenciavam, hoje protestam.”

Propostas mais concretas no combate ao racismo precisariam entrar na discussão política, diz Silva, que também é coordenador do Programa “Direito e Relações” do Centro de Estudos das Relações do Trabalho (Ceert). “Eu mesmo sugeri à Ministra da Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial, por exemplo, que seja feito um pacto com as torcidas organizadas. Ainda mais hoje, com o apoio das redes sociais, elas têm uma força muito grande e podem ser agentes importantes contra o racismo”, afirma. “Os compromissos da CBF e da FIFA estão no plano institucional, é preciso comprometer o torcedor individualmente.”

Silva Junior também defende uma punição mais rigorosa aos clubes e torcedores. “Há ainda hoje uma sensação de impunidade em torno desse tema, que encoraja o racismo”, diz.

E na Copa do Mundo, o Brasil está preparado para conter as manifestações de racismo durante a Copa? “Não, eu temo que não”, afirma o advogado. “Eu temo que essas manifestações se aprofundem, porque elas tendem a se reproduzir. Ainda há tempo para se realizar uma ação mais coordenada e mais eficaz, mas isso depende de vontade política, especialmente do governo federal”.

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