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Brasil é país mais letal para jornalistas na América, diz ONG

por Deutsche Welle publicado 12/02/2014 14h26
Repórteres sem Fronteiras critica violência contra imprensa e concentração da mídia
Reprodução/Agência Ruptly

Com cinco jornalistas mortos em 2013, o Brasil se tornou o país mais letal da América para representantes da mídia, segundo o relatório anual divulgado nesta quarta-feira 12, em Paris, pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF).

A posição era até então do México, um país "muito mais perigoso", de acordo com a ONG. O Brasil ocupa a 111ª posição no ranking de liberdade de imprensa da organização, incluindo 180 países, tendo descido três posições em relação à avaliação anterior.

"Essas mortes trágicas no Brasil são, obviamente, também atribuídas a um alto nível de violência. O poder do crime organizado em certas regiões torna muito arriscada a cobertura de temas como corrupção, drogas ou tráfico ilegal de matérias-primas", afirma o texto.

"Primavera brasileira"

De acordo com a RSF, a repressão aos protestos do ano passado no Brasil também afetou a imprensa. O relatório observa que "a primavera brasileira", iniciada com protestos contra aumentos de preços dos transportes públicos e que se espalharam com o descontentamento com os gastos para a Copa, levantaram questionamentos sobre "o modelo de mídia dominante" e evidenciaram "os métodos terríveis ainda utilizados pela polícia desde o tempo da ditadura".

A RSF ressalta, ainda, que durante os protestos, "cerca de cem jornalistas foram vítimas de atos de violência, dos quais mais de dois terços foram atribuídos à polícia".

O Brasil é citado juntamente com os Estados Unidos, como os dois "gigantes do Novo Mundo que dão mau exemplo". Os EUA caíram 13 posições na classificação geral em relação ao ano passado, ocupando agora o 46° lugar do ranking de liberdade de imprensa, ficando abaixo de países como El Salvador e Romênia.

A RSF acusa cerceamento de jornalistas e suas fontes no país americano, por meio de processos judiciais, sobretudo no contexto das revelações do portal Wikileaks e do ex-colaborador da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden. A entidade aponta os EUA como um lugar onde "o argumento da segurança nacional é usado para restringir a liberdade de informação".

"Jornalistas associados ao terrorismo"

"Mesmo países como os EUA e o Reino Unido já associam jornalistas investigativos e suas fontes ao terrorismo", criticou o Michael Rediske, do escritório da RSF em Berlim.

Como exemplo da "perseguição estatal" a jornalistas investigativos, a entidade citou a imposição de uma pena de prisão de 35 anos ao informante do Wikileaks Bradley Manning, que agora se chama Chelsea Manning. Também a caçada a Snowden se destina, segundo a RSF, a intimidar pessoas que poderiam repassar a jornalistas informações sobre a má conduta de governos e autoridades.

O Reino Unido caiu três posições, ocupando a posição 33. A Repórteres Sem Fronteiras criticou o país, que pressionou o jornal Guardian por causa de suas revelações sobre o caso NSA, tendo obrigado o periódico a destruir discos rígidos com informações de Snowden.

A situação das mídias piorou de forma dramática na Grécia, que despencou do lugar 14 para a posição 99 no ranking. No intervalo de cinco anos, o país, debilitado pela crise, caiu 50 posições. Entre outras causas para a queda está o fechamento de emissoras estatais. A pior posição na União Europeia é da Bulgária, que caiu 12 posições, passando ao lugar número 100 da classificação, devido principalmente à ação policial contra jornalistas durante protestos.

Edição Alexandre Schossler

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