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#MulheresContraCunha

Ato de mulheres contra Cunha foca em racismo

por Marcelo Pellegrini — publicado 12/11/2015 23h16, última modificação 13/11/2015 00h56
Segundo ato #MulheresContraCunha, na noite desta quinta-feira, chamou a atenção para o aumento de 54% do feminicídio de negras
Secom/CUT
Mulheres contra Cunha

Manifestantes protestam pelos direitos femininos e contra Eduardo Cunha

Manifestantes em defesa dos direitos das mulheres protestaram, nesta quinta-feira 12, em São Paulo, contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e contra o Projeto de Lei 5069. As manifestantes levaram cartazes e entoaram gritos em alusão aos escândalos de corrupção envolvendo o parlamentar e criticaram o projeto de lei, de sua autoria, que dificulta o acesso à pílula do dia seguinte e obriga as vítimas de estupro a passarem por exame de corpo de delito antes de poderem abortar no rede pública de saúde -- medida que ignora, por exemplo, o fato de que muitas vítimas de violência sexual não apresentam marcas. 

Eram frequentes cartazes com dizeres como "Meu útero não é da Suíça para ser da sua conta" e "Cunha, o inimigo número 1 da mulher". Além disso, as manifestantes também entoaram cantos pedindo a cassação do mandato do deputado, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Cartaz contra Cunha
Manifestante carrega cartaz em alusão às contas secretas de Cunha na Suíça. Créditos: Quebrando o Tabu

O protesto começou por volta das 18 horas no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), e juntou cerca de 5 mil pessoas, segundo a organização. Ao longo de toda a manifestação, mulheres negras lideraram a marcha com o objetivo de chamar a atenção para a vulnerabilidade social das mulheres pobres, negras e moradoras da periferia. 

Os dados do Mapa da Violência 2015 reforça a escolha das manifestantes. Segundo o relatório, o feminicídio de negras cresceu 54% em 10 anos, entre 2003 e 2013, enquanto o número de mulheres brancas mortas caiu 10% no mesmo período.

Para a professora Geni Barros, presente no ato, o levantamento comprova o risco. "As negras são altamente vulneráveis porque ocupam trabalhos precários, têm baixo acesso à informação e moram nas periferias, longe dos aparelhos de assistência social", afirma. Para ela, além do machismo, as mulheres negras são vítimas do preconceito racial. "É uma sobreposição de opressões", diz. 

Protesto Mulheres contra Cunha
Mulheres negras lideraram a manifestação. Créditos: Roberto Parizotti / Secom CUT

Na avenida Consolação, houve uma divisão entre as participantes. Manifestantes ligadas a Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre), ao movimento nacional das juventudes de mulheres (Juntas!), e o PSTU rumaram em direção à Escola Estadual Fernão Dias, no bairro Pinheiros, onde estudantes ocuparam o prédio contra a "reorganização" proposta pelo governador Geraldo Alckmin, que levará ao fechamento de 94 escolas. 

Ainda na rua da Consolação, houve uma manifestação específica contra o episódio de racismo na faculdade Mackenzie, em que os banheiros da instituição foram pixados com dizeres racistas. Em frente à entrada da faculdade, as manifestantes gritaram que "racistas não passarão".

O ato terminou no Largo do Paissandu, onde parte das manifestantes se dividiu e rumou em direção às seis escolas ocupadas pelos alunos secundaristas. Não houve nenhum relato de confronto durante todo o protesto.

Além da manifestação desta quinta-feira 12, houve dois outros atos contra Eduardo Cunha e o PL 5069 - o primeiro no dia 30 de outubro, com cerca de 5 mil participantes, e o segundo no dia 31, com 1,5 mil pessoas. 

Mães e grávidas contra Cunha
Grávidas e mães também acompanharam a manifestação. Créditos: Roberto Parizotti / Secom CUT

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