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Obras param no Porto do Açu

por Redação Carta Capital — publicado 26/04/2011 15h04, última modificação 26/04/2011 17h03
Agricultores bloquearam estradas que levam ao canteiro de obras do terminal portuário. Eles afirmam que houve irregularidades na desapropriação de terras. Da Redação

Desde a madrugada desta segunda-feira 25, produtores rurais do município de São João da Barra, na região norte do Rio de Janeiro, bloqueiam as estradas de acesso ao canteiro de obras do Porto do Açu, um terminal portuário privativo de uso misto que tem o maior investimento em infraestrutura portuária das Américas. Os agricultores protestam contra o processo de desapropriação de terras da região para a realização de obras de infraestrutura do complexo.

De acordo com o presidente da Associação de Produtores Rurais e Imóveis de São João da Barra, Rodrigo Santos, as desapropriações estão sendo feitas aleatoriamente, sem acordo prévio com os donos das áreas. “Os proprietários rurais de pequenos lotes, ligados à agricultura familiar, não estão sendo respeitados. Estão entrando, emitindo posse nas propriedades e tirando o proprietário, deixando sem sua terra, sua lavoura, sua plantação. Em momento nenhum houve acordo com o pequeno proprietário”, afirmou, acrescentando que muitos ainda não receberam indenização. Segundo Santos, se não houver diálogo com a empresa responsável pela obra, o movimento pode se prolongar pelos próximos dias. A Polícia Militar está no local.

A LLX, companhia do empresário Eike Batista, responsável pelo megaprojeto, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que orientou os funcionários, por medida de segurança, a não irem ao porto na segunda-feira e que as obras estão paralisadas.

Nesta terça-feira 26, a LLX e a Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio (Codin) se reunirão para discutir as reivindicações dos produtores.

No fim de março, operários que trabalham nas obras de construção do porto cruzaram os braços para reivindicar melhores condições de trabalho e 30% de adicional de insalubridade. A greve foi encerrada um dia depois do início do movimento, após acordo com a empresa.

A obra – Em fase de construção, o empreendimento contará com até 30 berços de movimentação de produtos como produtos siderúrgicos, petróleo, carvão, granito, minério de ferro, granéis líquidos e carga geral. Com uma profundidade inicial de 21 metros, com possível expansão para 26 metros, o superporto terá uma ponte de 2,9 km de extensão (já concluída), que permitirá a atracação dos maiores navios do mundo, como Capesize, VLCCs e Chinamax.

O empreendimento, previsto para começar a operar em 2012, está em construção desde outubro de 2007 e foi projetado com base no moderno e eficiente conceito de porto-indústria. O empreendimento emprega 1,5 mil trabalhadores.

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