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A tragédia no Rio e as ações para conter os estragos causados pela chuva

por Redação Carta Capital — publicado 18/01/2011 12h09, última modificação 18/01/2011 12h10
Leia as análises de jornalistas e especialistas. Para evitar novos desastres, governo federal vai implantar sistema de prevenção e alerta

Leia as análises de jornalistas e especialistas. Para evitar novos desastres, governo federal vai implantar sistema de prevenção e alerta

Subiu para 676 o número de mortos em consequência da chuva na região serrana fluminense, de acordo com o último balanço, divulgado na manhã desta terça-feira 18 pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. O município de Nova Friburgo tem o maior número de mortos: 319. Em Teresópolis, os mortos são 277; em Itaipava, distrito do município de Petrópolis, 56; em Sumidouro, 19; em São José do Vale do Rio Preto, quatro, e em Bom Jardim, uma pessoa morreu.

Até a noite de segunda-feira 17, o Programa de Identificação de Vítimas calculava 245 desaparecidos — 129 em Teresópolis, 109 em Nova Friburgo, duas em Petrópolis, duas em Bom Jardim e outras três pessoas em cidades que ainda não foram identificadas.

Programa de Prevenção – Por determinação da presidenta Dilma Rousseff, o governo federal vai implantar no país um sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais. A partir da conjugação de dados meteorológicos e geofísicos será possível dar o aviso para que as populações sejam retiradas das áreas de risco. A informação foi transmitida pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, que participou de reunião na manhã de ontem, no Palácio do Planalto. Mercadante disse que um supercomputador à disposição do governo terá condições de promover levantamento da incidência de chuvas numa área de até cinco quilômetros -- atualmente os equipamentos disponíveis verificavam num espaço de 20 quilômetros -- o que aumentará a taxa de acerto de previsões.

Mercadante previu que já no próximo verão seja possível dispor de algumas informações, mas o sistema somente entrará em operação integral num período de quatro anos.

Liberação de FGTS – Cerca de 170 mil trabalhadores da região serrana do Rio de Janeiro poderão ser beneficiados com a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), segundo estimativa da Caixa Econômica Federal. De acordo com o banco, a expectativa é de que o recurso desses trabalhadores seja liberado até abril de 2011, uma vez que os interessados têm até 90 dias para dar entrada no processo. O pagamento do FGTS acontece após o recebimento da Declaração de Área Atingida, a ser emitida pelas prefeituras das cidades envolvidas.

Para fazer o saque, é necessário que o intervalo entre uma movimentação na conta do FGTS e outra não seja inferior a 12 meses. O teto para o saque é de R$ 5,4 mil, conforme o Decreto nº 7.428 publicado hoje (17/1) no Diário Oficial da União. A Caixa estuda, ainda, outras medidas de apoio às vítimas das enchentes relacionadas à crédito pessoal e financiamento habitacional.

A exemplo do que aconteceu em 2010 nos estados de Pernambuco e Alagoas, o Banco do Brasil e o BNDES irão disponibilizar linha de capital de giro e investimentos com taxas e prazos diferenciados às empresas. Na linha Proger Urbano Empresarial, será admitido o refinanciamento da dívida pelo prazo de até 96 meses, incluída nova carência de até seis meses, com manutenção dos encargos financeiros contratados e dispensa de entrada mínima.

Doações e burocracia – As doações que chegam a todo momento em grande quantidade nas regiões devastadas pelos deslizamentos no Rio estão provocando uma desavença entre a prefeitura de Teresópolis e a Cruz Vermelha. Segundo reportagem do jornal O Globo, publicada hoje, a prefeitura interveio na distribuição de alimentos feita pela Cruz Vermelha. Há um pré-cadastro de voluntários e rigidez excessiva. O secretário municipal de Desenvolvimento Social, Rudmar Caberlon, afirmou à reportagem que esse trabalho é para “organizar a distribuição” e que é preciso uma “política de controle muito forte”. Ele afirma que já houve denúncias de desvios de doações que já foram encaminhadas à PM, mas que nenhuma foi confirmada.

De qualquer forma, ajuda ainda se faz necessária e as doações são bem-vindas. O presidente da filial da Cruz Vermelha no Rio, Luiz Alberto Sampaio, agradeceu a população, mas pediu que as pessoas deem prioridade à doação de alimentos não perecíveis, produtos de higiene e limpeza, pratos e talheres.

A organização cadastra doadores pelo site: http://cruzvermelha.org.br/

A CartaCapital tem publicado uma série de artigos e análises de especialistas sobre a tragédia no Rio. Leia:

, por Ricardo Kotscho

, por Paulo Henrique Amorim

, com fotos da AFP

, por Paulo Daniel

, do Vermelho

, por Leornardo Sakamoto

, por Raquel Rolnik

, por Raquel Rolnik

. Por Aspasia Camargo, Envolverde

, entrevista com Emínia Maricato, no Viomundo

, da Radioagência NP

, da Agência Brasil

, por Raquel Rolnik

. Entrevista com Nabil Bonduki a Felipe Corazza

. Por Álvaro Rodrigues dos Santos
. Da Agência Brasil

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