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Por uma nova visão sobre o uso da informação

por Fórum Brasileiro de Segurança Pública — publicado 08/08/2011 10h49, última modificação 08/08/2011 11h34
Por meio do WikiCrimes, é possível, por exemplo, saber a quantidade de crimes que ocorreram na região que a pessoa está. Por Vasco Furtado

Por Vasco Furtado

A internet tem mudado gradativamente a forma de se viver em sociedade ao proporcionar, entre outras coisas, novas formas de interação entre as pessoas, o que permite inovar também a relação dos cidadãos com os governos. Para que isso ocorra em plenitude, há que se criar uma nova postura governamental no trato da informação pública que deve ser fundamentada na transparência e participação.

Em se tratando de Segurança Pública, transparência e publicidade de dados sobre a criminalidade são pontos nevrálgicos dos governos brasileiros. As informações sobre onde, quando e por que ocorrem crimes são tratadas equivocadamente como sigilosas. A Grã-Bretanha, um dos países mais avançados no conceito de Governo Aberto, é um bom exemplo de como mudanças nessa postura têm sido feitas. Lá a polícia abriu, aos cidadãos, todas as ocorrências criminais com a exata localização geográfica e o horário em que ocorrem. Nos EUA o mesmo ocorre. As polícias americanas perceberam que quanto mais as pessoas entenderem o que está acontecendo no seu bairro, mais elas podem ajudar.

Abrir-se à sociedade significa estabelecer canais de diálogo franco e proativo. Embora difícil, pois é uma mudança cultural, isso é recompensador, porque trata-se de um meio para se obter credibilidade da população e fortalecimento da participação. As pessoas estarão dispostas a participar, se confiarem no governo e nas informações que lhes são postas à disposição. Não é o que acontece atualmente no Brasil, onde o que se vê são constantes dúvidas quanto à credibilidade das estatísticas oficiais. Últimas estimativas feitas no País mostram que mais de 50% dos roubos e furtos em grandes cidades não são nem comunicados à Polícia.

Aqui no Brasil, começamos um projeto de pesquisa que deu origem a um site inovador chamado Wikicrimes (http://www.wikicrimes.org). Trata-se de um espaço de utilidade pública que permite o acesso e registro de ocorrências criminais pelo próprio cidadão diretamente em um mapa no computador. Hoje WikiCrimes coleta dados sobre crimes de diversas fontes o que levou o surgimento de vários serviços públicos úteis aos cidadãos. É possível, por exemplo, saber, a partir de um smartphone, a quantidade de crimes que ocorreram na região que a pessoa se encontra. Mais de 10.000 brasileiros já se inscreveram no site.

Fiz correspondências aos Secretários de Segurança Pública de todos os Estados solicitando que pusessem seus dados disponíveis para benefício da população. Não consegui sensibilizá-los ainda, o que não me impede de convidar, agora publicamente, a todos aqueles que mantêm dados oficiais sobre a criminalidade aprisionados em seus bancos de dados, para que os libertem. Eles serão o vetor transmissor de uma relação de parceria com a sociedade que tende a ser muito frutífera.

Vasco Furtado é cientista e professor em computação da Universidade de Fortaleza, doutor em Inteligência Artificial na Université d'Aix Marseille III, França, com pós doutorado na Universidade de Stanford, EUA. Analista de Tecnologia da Informação da ETICE, desenvolve pesquisas em computação prioritariamente aplicadas ao contexto da Segurança Pública. Site: vfurtado.blogspot.com

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