O cartunista Laerte Coutinho, de 60 anos, que em 2009 decidiu passar a se vestir como mulher, usar brincos e pintar as unhas de vermelho, está dentro do banheiro masculino quando entra um velhinho. Ao se deparar com a figura de cabelos grisalhos lisos num corte chanel, saia e salto alto, em pé diante do mictório, o homem estaca. “Não se preocupe, o senhor não está no banheiro errado”, diz Laerte. E o idoso, resignado: “É, eu estou é na idade errada”.
Laerte já foi chamado de crossdresser, denominação utilizada para o homem que gosta de, ocasionalmente, usar roupas femininas como fetiche. Talvez o crossdresser mais famoso da história tenha sido o cineasta norte-americano Ed Wood, que vez por outra vestia trajes de mulher. Sentia que lhe acalmavam o espírito. Wood, encarnado no cinema pelo ator Johnny Depp no filme homônimo de Tim Burton, em 1994, era casado e, ao que tudo indica, heterossexual. Só que o cartunista acha que não é crossdresser como Wood porque não tem mais em seu armário roupas de homem. Nem uma só cueca, nada. “Foi a primeira gaveta que esvaziei”, conta.
Por outro lado, as travestis, brinca Laerte, ficariam indignadas se ele dissesse ser uma, por não ter a -exuberância que se espera delas. Drag queen ele não é, porque não se veste como mulher para fazer performances. Usa vestidos e saias todo o tempo, para desenhar, pagar contas no banco ou ir até a esquina. Transexual também não, porque não tem interesse em fazer cirurgia de mudança de sexo e nem está insatisfeito com o próprio corpo “biológico”. Bissexual, sim, com certeza. “Nomenclaturas não me interessam. A busca por uma nomenclatura é uma tentativa de enquadramento. Sou uma pessoa transgênera e gosto do termo ‘pós-gênero’”, explica o cartunista.
O fato é que não existe atualmente uma palavra para “enquadrar” Laerte. Tampouco há resposta definitiva para a questão: quantos gêneros existem na realidade? Só homem e mulher parecem não ser mais suficientes. Desde a quinta-feira 15, os australianos terão em seus passaportes a possibilidade de optar, além dos sexos “masculino” e “feminino”, por um gênero “indeterminado”. Cabem aí todas as possibilidades de definição de Laerte, ou qualquer outra que aparecer. A própria sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) já é utilizada por alguns grupos como LGBTIQ – adicionada de “intersex” e “questioning” (“em dúvida” ou “explorando possibilidades”).
Com a mudança no passaporte, a Austrália na prática estende para todos os cidadãos o direito conquistado na Justiça em março do ano passado por Norrie May-Welby. Norrie, que nasceu homem, havia feito cirurgia de sexo para se tornar mulher, mas não se adaptou à nova condição. Recorreu à Justiça e se tornou a primeira pessoa do mundo a ser reconhecida como “genderless”, ou sem gênero específico. Após a decisão, Norrie May-Welby declarou: “Os conceitos de homem e mulher não cabem em mim, não são a realidade e, se aplicados a mim, são fictícios”. O sobrenome de Norrie, aliás, é um trocadilho com “may well be”, que em inglês significa “pode bem ser”.
Para chegar à decisão, dois médicos o examinaram e concordaram que Norrie é psicológica e fisicamente andrógino. May-Welby comemorou a libertação da “gaiola do gênero” e sua história detonou uma discussão no país sobre a criação de direitos específicos para as pessoas sem gênero. Um problema prático é justamente a identificação em documentos oficiais. Para um homem transexual que fez a cirurgia de mudança de sexo, é possível em vários países mudar também os documentos. Mas o que fazer com os que não desejam ser identificados por gênero algum? “O caso de Norrie evidenciou a existência de pessoas que não desejam ter um sexo específico”, disse em dezembro John Hatzistergos, procurador-geral de New South Wales, o estado mais populoso da Austrália.
Nascida mulher, a filósofa espanhola Beatriz Preciado, autora do livro Manifiesto Contrasexual, uma provocação intelectual que pretende subverter os conceitos de gênero e sexo é, ela própria, um ser híbrido que recusa qualquer definição. Preciado não se considera nem homem nem mulher nem homossexual nem transexual. Perguntada pelo jornal catalão La Vanguardia sobre seu gênero, Beatriz respondeu: “Esta pergunta reflete uma ansiosa obsessão ocidental, a de querer reduzir a verdade do sexo a um binômio. Dedico minha vida a dinamitar esse binômio. Afirmo a multiplicidade infinita do sexo”. Segundo a filósofa, a sexualidade humana é como os idiomas: pode-se aprender vários.
Há psicólogos que concordam com Beatriz ao defender que uma coisa é o gênero e outra, completamente distinta, a atração sexual. Isso é o que torna possíveis os inúmeros casos relatados de indivíduos que fizeram cirurgia de mudança de sexo para se tornarem não heterossexuais, mas homossexuais. Explico: um homem, por exemplo, que se torna mulher não para ter relações com homens, como se poderia imaginar, mas com mulheres. Ou seja, que troca de sexo para ser gay.
Aconteceu recentemente na Itália: Alessandro Bernaroli, de 40 anos, submeteu-se a uma mudança de sexo e tornou-se Alessandra em 2009, mas ele e a esposa não tinham a intenção de se separar, queriam permanecer juntos. O mais incrível é que acabaram alvos de um divórcio à revelia pela Justiça italiana, baseado no fato de o país não permitir legalmente casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Alessandra está recorrendo no tribunal de última instância e pode ir à Corte Europeia de Direitos Humanos se o seu direito de permanecer casada não for reconhecido.
Há três anos, então aos 81, a escritora Jan Morris, que deixara de ser James através de uma cirurgia em 1972, decidiu casar novamente com sua companheira de toda a vida, Elizabeth Tuckniss. Eles tiveram cinco filhos juntos e nunca se separaram de fato, mesmo após a cirurgia. Por exigências legais, porém, haviam se divorciado logo depois de James se tornar Jan. James Morris, o primeiro jornalista a anunciar a conquista do Everest, diz, em seus relatos autobiográficos, que se transformou em Jan, mas nunca se sentiu homossexual, e sim “erroneamente equipado”. Achava que deveria ter nascido mulher e fez a cirurgia para corrigir o equívoco divino – o que não significava que quisesse abrir mão do amor de Elizabeth.
“Esses casos comprovam que gênero e atração sexual podem ser coisas
separadas. É muito complicado, há pessoas que nunca se conformam em ser enquadradas em um gênero”, diz o psicólogo Anthony Bogaert, professor do Departamento de Ciências Sanitárias da Brock- University, no Canadá. “Gênero é uma construção complexa. Ser macho ou fêmea, assumir papéis mais femininos ou mais masculinos, não vai necessariamente indicar que tipo de pessoa atrairá sexualmente um indivíduo. Homens com características mais -femininas, por exemplo, ou até transexuais, não necessariamente tenderão a se relacionar com pessoas do mesmo sexo.”
Apesar das diferenças que estabelece entre gênero e orientação sexual, Bogaert considera discutíveis experiências como a do casal canadense Kattie Witterick e David Stocker, que, revelou-se ao mundo em maio, pretende manter o sexo de seu bebê, chamado apenas de Storm (tempestade), como um segredo de família. Isso significa que Storm crescerá sem gênero definido. Acossada por críticas de psicólogos, a mãe justificou-se dizendo ter tomado a decisão por causa da pressão sofrida por Jazz, seu filho mais velho, um garoto que gosta de usar tranças e sempre vestiu roupas de menina, para que “agisse como menino”.
Caso parecido aconteceu há dois anos na Suécia com o bebê “Pop”, gênero não revelado, que aos 2 anos podia escolher se queria usar vestidos femininos ou roupas de garoto. “Nós queremos que Pop cresça o mais livremente possível, queremos evitar que seja forçado/a a assumir um gênero específico ditado pelo exterior”, explicou a mãe da criança. “É cruel trazer uma criança ao mundo com uma estampa azul ou cor-de-rosa pregada na testa.”
Uma pré-escola na Suécia, a Egalia, baniu os termos “ele ou ela” para se referir aos pequenos alunos, que não são tratados como “meninos” ou “meninas”, mas como “amiguinhos”. Na brinquedoteca, a cozinha, com suas panelas e outros utensílios, supostamente “de predileção” nata das meninas, fica ao lado das peças de Lego e brinquedos de montar, normalmente “preferidos” pelos meninos, para que as crianças não tenham “barreiras mentais” e se sintam livres para escolher entre as duas brincadeiras. O sistema é chamado de “educação neutra em gênero”, mas já há quem tenha apelidado a ideia de “loucura dos gêneros”.
Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp, a antropóloga Regina Facchini vê, no entanto, alguns aspectos positivos em não se enfatizarem gêneros e fortalecer estigmas na educação de crianças. “Em termos individuais, acho impossível criar uma criança sem gênero. Mas intervir no social, na escola, e não no sujeito, pode ser interessante.” A pesquisadora lembra que, no Brasil, os parâmetros curriculares aconselham fazer o possível para não estabelecer diferenças entre gêneros. Até mesmo em coisas pequenas, mas que denotam estereótipo, como, por exemplo, dar para os garotos a função “masculina” de carregar coisas pesadas.
“Existem discussões candentes hoje em dia. Os banheiros das escolas atendem os alunos transexuais? Agora, a identidade de gênero existe. Desde o momento que a criança botou a cabeça para fora, ela vai sendo construída, a partir das expectativas criadas em torno dela pelos pais, pela sociedade. Essa é uma realidade”, diz a antropóloga. “Sem dúvida, quanto menos a escola enfatizasse gêneros, menos seria traumático para algumas crianças. Assim como também seria positivo ensinar que existem várias formas de masculino e feminino que devem ser respeitadas. O que existe na maior parte dos lugares é o oposto disso.”
Até os 7 anos, o paulista Leo Moreira Sá, caçula de nove irmãos, brincava com os amigos no quintal, todos meninos, usando um short sem camiseta. No dia que ele conta ser o mais chocante de sua vida, a mãe vestiu-o com o uniforme da escola, uma sainha com blusa. Ele reclamou: “Mas isso é roupa de menina”. Ela olhou-o profundamente nos olhos e pronunciou a frase que o marcaria dali por diante: “Você É uma menina”.
Foram anos de rebeldia, bullying e inadaptação escolar até que Leo, então Lou Moreira, entrou para as Ciências Sociais da USP e descobriu na literatura algumas respostas para suas dúvidas. Ainda assim, continuava a se sentir inadaptada. Entrou para um grupo ativista de lésbicas, mas não se sentia bem aceita por ser considerada “masculina demais”. O melhor momento para ela então foi a atuação, nos anos 1980, como baterista da banda de punk-rock As Mercenárias, look andrógino, cabelo descolorido curtíssimo e ar desafiador.
Em 1995, Lou era casada com uma garota quando viu na rua a travesti Gabriella Bionda, a Gabi. “Pensei: ‘que mulher linda’”, conta. Gabi olhou para ela e falou: “Que ‘viadinho’ bonitinho”. Foi o início da relação surpreendente entre a lésbica e o travesti, que duraria nove anos e tornaria a dupla figurinha carimbada na noite paulistana. O curioso é que houve um período que Gabi “montava” Lou para que esta parecesse mais feminina, mas, nos últimos anos, ela vem se transformando em Leo. Aos 53 anos, planeja, inclusive, fazer a cirurgia de retirada dos seios e, futuramente, de mudança de sexo.
Não que tenha decidido se pretende se relacionar amorosamente com homem, mulher ou outro gênero. “No momento, não estou me relacionando com ninguém, estou pensando só na cirurgia”, diz Leo, para quem Gabi ainda é o amor de sua vida. “A Gabi é minha alma gêmea, meu espelho invertido. Estar com aquela mulher com corpo de homem quebrou certos limites da minha sexualidade. Na cama, éramos o casal mais versátil que se possa imaginar. Hoje, desfruto de um leque muito amplo de possibilidades. Nada está fechado.”
Leo, que toma hormônios, criou barba e possui uma aparência exterior masculina, rejeita assumir a identidade de homem. Não gosta do termo “transexual”, mas prefere se nomear assim, à falta de outro. “Adoraria não precisar assumir gênero algum”, admite o ator, que integra o grupo de teatro dos Sátyros, em São Paulo, cujas montagens costumam incluir transexuais e travestis no elenco. “Vivi à margem durante muitos anos. Agora, ao contrário, essa sensação de não pertencimento ao mundo me faz feliz, sinto-me um ser humano integral, completo. Vou operar para fazer um ajuste, para me sentir mais cômodo com meu próprio corpo. Mas assumir um gênero, para quê?”
[...] não ter conseguido usar o banheiro feminino de um restaurante (mais sobre a escolha de Laerte, em Carta Capital). Assunto que pode gerar briga na justiça, novamente ficamos envoltos por questões [...]
[...] A era do pós-gênero?, na Carta Capital de setembro, mas que só li agora na nova (e ótima) revista Samuel. Share this:FacebookTwitterEmailPrintGostar disso:GostoSeja o primeiro a gostar disso post. carta capitalgênerolaerte coutinhorevista samuel ← Previous post (twitter) [...]
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Que gênero coisa nenhuma, o que importa é a competência
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Adorei! Adorei!! Mesmo tendo totalmente minha identidade de gênero definida (sou gay mesmo) Penso que esta matéria venho realmente na hora certa. Já quero levar essa discussão para salas de aula com meus alunos. Quero também, socializar essas linhas com o Fórum Estadual LGBT do ES.
Parabéns Cynara Menezes! E aprovenitando, gostaria de saber como você se define? Qual sua identidade também?:-D
eu sou heterossexual e tenho tantos amigos gays que poderia me considerar gay honorária ; )
Tá na hora de nos conscientizarmos que não se limita “pessoas” à gênero algum, se não de pessoas, seres humanos. Devemos cuidar da saúde. hahahha
Edilaine de Azevedo Machado: Eu não falei de religião. Falei de Deus. Meu desejo foi ironizar uma passagem da matéria onde foi dito que Deus cometeu um equívoco, e questionei se isso seria possível. E que nesse caso, ou Deus não é perfeito, ou alguns se pretendem mais perfeitos que Ele.
Parabéns Cynara, grande e esclarecedora matéria. Abaixo todos os rótulos e preconceitos.
Penso q a religiosidade está presente na sociedade desde sempre, é uma forma do ser humano tentar desvendar os mistérios da vida e da morte. Quando falo q não devemos adotar noções religiosas, digo em específico das cristãs. Aceito a sua posição, cada um interpreta a vida de acordo com suas crenças religiosas, científicas, históricas, sociais… Só não acho q a religião é resposta para tudo e nem dona da verdade absoluta, pois isso seria uma verdadeira ingenuidade. Quanto a opção sexual, ela é sim, individual e independente de crenças, ser homossexual ou heterossexual, não significa ser agnóstico/ateus. E mudar de sexo não agride ninguém, nem mesmo a sociedade, é uma escolha individual.
Edilaine de Azevedo Machado disse que não cabe discutir religião, moral e dogmas. Só que em sua resposta ela também foi moralista e dogmática. Além disso, é muita ingenuidade achar que a vida se divide em compartimentos estanques. Religião faz parte da vida, tanto quanto o sexo. E não pode ser desdenhada só porque seus questionamentos incomodam a alguns.
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Peraí, peraí… Vamos falar sério agora. Quantos gêneros existem? Masculino e feminino, certo?
Cynara, parabéns pela reportagem! E parabéns a Carta Capital também! Gostei muitissímo! É assim que se faz e se muda a história! A possibilidade de transgredir noções tão limitantes e forçosamente quadradas, “naturais”. Chega, né? “Façamos, vamos amar…”!
nossa , alguns comentários acima são péssimos, nascemos com sexo definido , macho ou femea , mas gênero é algo totalmente diferente, pois a própria sociedade que impõe papeis para os sexos.
Desculpa, não cabe discutir religião, e sua moral e dogmas. Hoje,temos que ter em mente não são noções religiosas de como se comportar no mundo. Mas pensar sobretudo no respeito que temos que ter pelas nossas diferenças. As escolhas são individuais, se um homem ou mulher estão insatisfeitos e querem assumir o gênero oposto, isso não o torna menor do q qualquer outra pessoa, nem mesmo deuses.
Deus cometeu um engano, e alguns pretendem corrigi-lo tomando o lugar Dele? Então ou Deus não é perfeito, ou alguns se acham mais perfeitos que Ele. Quem determina os gêneros é a natureza, não o indivíduo. Voltar-se contra isso é revoltar-se contra a própria natureza e contra Aquele que a criou. Esta matéria me lembra algo que li certa vez: que o mal, em seus últimos estágios, assemelha-se à loucura. E que a única diferença entre o insano e aquele que se obstina no mal é que o insano não sabe o que faz.
Paulo, olha só, vou te contar uma coisa que você possa ficar chateado mas talvez esteja na hora de você saber. Coelhinho da Pascoa, Fada do Dente, Papai Noel, Deus… nada disso existe, ta? Sabe aquela coisa de dizer pra criança se comportar ou Papai Noel nao traz presente? Entao, Deus é a mesma história, alguém inventou pra você se comportar, ou nao vai pro céu no final. Tudo mentira, ta? A gente nasce e morre. Paraíso é na hora da morte olhar pra tras e pensar: pena que acabou, mas foi bom pra caralho. Nao é insanidade nao meu velho, é ser muito sao pra buscar a propria felicidade
“Desde o momento que a criança botou a cabeça para fora, ela vai sendo construída, a partir das expectativas criadas em torno dela pelos pais, pela sociedade.” “É cruel trazer uma criança ao mundo com uma estampa azul ou cor-de-rosa pregada na testa.” E desde quando é errrado transmitir valores? Quem pensa assim deveria também, sob pena de ser considerado hipócrita, não vacinar os filhos, não colocá-los na escola, nem mesmo dar-lhes banho. Vai que eles não querem…
Acho que alguém aqui fugiu das aulas de biologia… Existem dois gêneros só: masculino e feminino.
Elvis e Madona é a história de uma lésbica que se apaixona por uma travesti e tem tudo a ver com essa matéria. Venha nos conhecer e dar a sua opnião em nosso mural no Facebook: https://www.facebook.com/elvisemadona
Esperamos vocês!!
Parabéns pela matéria, pensar em liberdade e igualdade, é pensar numa sociedade capaz de expandir seus conhecimentos e ampliar as possibilidades. Não significa acabar com o q já está posto, heterossexuais e/ou homossexuais, mas enxergar além desses dois conceitos. A diversidade, a principio pode causar repulsão, mas sem dúvida é ela q traz ao mundo o dinamismo necessário para o desenvolvimento e evolução das relações sociais, e portanto, da sociedade.
Marco histórico! Viva a pós modernidade! Pra que se enquadrar? Liberdade total é o futuro
Isto não é um artigo, é um marco histórico. Finalmente os “desgenerados” estamos aparecendo na midia. Parabéns!!!
Como este assunto se reflete nas outras classes de animais?
Na minha opinião este assunto é tema de uma consciência, de uma mente que não necessita do corpo para se decidir. Ser feliz ou depressivo, mora na sua mente. Ser homem ou mulher também.
é o fim do mundo, na era das comunicaçoes é quando menos estamos nos entendendo. O narcisismo, exibiocionismo, individualismo,e outros ismos,estao aflorando cada vez mais. O criacionismo esta dando razao ao darwinismo pois isto é a evuluçao do homem que ja vai se preparando para uma sociedade que crescia muito e que ai pertinho, ja em 2050, nao vai ter comida pra todos. A Dima quer 6000 creches, nao vai ter familia mesmo, o ECA vai ser aperfeiçoado pois tirou o poder patrio mas vai ter que dar para o conselho tutelar.Que futuro teremos se a relaçao de poder nao vai mudar e aquele que pode faz do jeito que quer. Sem regras entao, nossa???
[...] Vai lá ler e volta para deixar sua opinião! [...]
Excelente materia! Parabens Cynara Menezes pela qualidade do jornalismo.
PS: A humanidade nao eh fruto de erros sociais? A humanidade SOH eh fruto de erros (e acertos) sociais. Como assim?
Obrigada, Carta Capital, e Cynara Menezes, por uma materia livre de preconceitos e genuinamente esclarecedora.
Ótima matéria, é bom que as pessoas compreendam que a indefinição do gênero traz benefícios para muitas pessoas. É uma pena que a mídia de massa não tenha coragem de mostrar isso. Um abraço!
A humanidade não é fruto de erros sociais. Há razões, biológicas e evolutivas, para que as coisas transcorram como são.O que não dá é para dizer que a exceção é uma estrutura capaz de no fazer reconsiderar centenas de milhares de anos. Tudo o que existe hoje, de uma forma ou outra sempre existiu e nunca se reorganizou a sociedade segundo parâmetros da minoria das minorias. Vamos com calma.
[...] mais: O que pensam os novos consumidores? A era do pós-gênero? ‘Somos mais respeitados lá fora’ Mulheres poderão votar e ser candidatas E o modo [...]
Achei a matéria perfeita, pois mostra a dinâmica da vida e do ser humano, indicando que rótulos são apenas rótulos e não dão conta de explicar a dimensão humana.
Adorei a matéria.Excelente reflexão.
Eu que sou jugada por muito por ter um pensamento contrário do que costuma ser “normal”, me senti extremamente envolvida com o tema,concordei com muitas falas e me senti um tanto apreciada com a matéria. Acredito realmente na possibilidade de ausência de gênero. Me pergunto?: Para quê? Mais um rótulo? Me acrescentou a vontade de me aprofundar no assunto e porque não escrever minha monografia sobre o assunto.
Parabéns pela matéria! Realmente as construções binárias não servem para descrever os mistérios da sexaulidade humana.
Parabéns pela matéria, pelo texto, as fontes utilizadas, tudo com muito bom senso e clareza.
PARABÉNS!!! Que matéria maravilhosa. Nunca imaginei que estaria viva para ler uma matéria com essa postura em uma revista de circulação nacional no Brasil. Temos que entender, a vida é muito maior que as caixas (gênero, religião, cor, classe etc) que construimos para encaixa-la. A vida é pulsante!
Para Karla:
Não creio que seja só o fetiche masculino pois existe sim, dentro do feminismo, uma ligação muito grande com grupos de lésbicas, é público que muitas expoentes do movimento feminista são lésbicas e, principalmente, correntes de pensamento que defendem o lesbianismo não só existem como são muito fortes. Isso é fato. Alguns talvez lembrem do começo dos anos 90 quando uma intelectual conhecida e ex-militante feminista, chamada Camille Paglia vivia dando entrevistas declarando que mulheres deveriam ser bissexuais e etc. Coincidentemente ou não, a partir dessa época o lesbianismo começou a aparecer cada vez mais, com declarações de personalidades, no cinema com filmes como “Instinto Selvagem” (que hoje é até discreto em termos de cenas lesbicas), e também em mídia impressa. E mesmo antes de Camille Paglia e cia, já existia desde os primórdios do feminismo esse discurso maniqueísta de que as mulheres não deveriam se relacionar com os “maléficos” homens
Transo com mulher e transexual, mas minha preferência é por mulher. Esta opção sexual não tem nome, pois não existe bissexual com preferência pelo sexo opOsto.
[...]“lésbicas “instantâneas” (adolescentes que vêem exemplos glamourizados na tv e cinema e acham bonito), fenômeno que tem uma marca de ideologia feminista”[...]
Alex, acho que você se equivocou ao escrever essa infeliz afirmação. A mídia explora a imagem de duas mulheres se “pegando” justamente para lucrar em cima de um fetiche masculino. Um exemplo disso é o da dupla russa T.A.T.U que ganhou repercussão com a história de que eram namoradas. Claro que o plano não passou de estratégia de marketing inventada pelo empresário das garotas. Exemplos assim usam a homossexualidade feminina como uma simples fonte de lucro, apoiando-se numa fantasia que a industria porno disseminou. Portanto, quem conhece o feminismo sabe que este luta contra isso e muito mais.
Gostei demais da matéria e já repassei pra muitas pessoas que eu conheço e que se interessam pelo tema. É o meu caso. E que grande verdade: “dois gêneros, infinitas possibilidades”. Além disso, admiro a seriedade do seu trabalho e sou sua fã de carteirinha. Um abração.
Nota-se que apesar da enorme pressão para a definição do ser humano em sua sexualidade e aparência alguns, bravos e indomáveis, demonstram que é impossível impedir a expressão da realidade individual e do desejo.
Não vejo lógica no fato da grande maioria da população “achar” que possui o direito de interferir no íntimo e na sexualidade de outro indivíduo. A regra deveria ser somente a busca da felicidade, independente da orientação psicológica ou sexual.
excelente matéria. perfeita. cynara, venha conhecer o nosso grupo de comunicação e gênero da faculdade de comunicação da unb. abraços!
Acho engraçado que toda essa “atitude” de rejeitar os rótulos se dá, ironicamente, no âmbito dos rótulos. Ou seja, na aparência, na imagem que a pessoa se esforça em adotar, em como ela pretende que os outros a identifiquem (através das roupas, adereços, formas e expressões corporais, etc.). E para isso, evidentemente, utiliza os símbolos disponíveis para esse fim. Se quer rejeitar o rótulo de homem, passa a usar vestidos, se quer rejeitar o rótulo de mulher, adota cabelos curtos, calças, trejeitos viris, etc.
Ou seja, não desrotulou nada. Apenas adotou o rótulo contrário.
A sexualidade, mesmo, não tem nada a ver com isso.
Vai ser realmente revolucionário, transformador, quando alguém surgir com uma exteriorização totalmente distinta das convencionais, criando um visual inédito para desmistificar os gêneros. Ou simplesmente não ligar para isso, exercendo a sexualidade que preferir, seja com que roupa for. Ou sem roupa, como, aliás, o sexo geralmente é feito.
Uma reportagem linda,libertadora preucupada com a diversidade humana.
parabens menina
simplesmente perfeito. adorei a reportagem, as informações são claras e pude perceber o cuidado com cada situação. é certo que estamos caminhando para um novo momento onde as pessoas poderão ser elas mesmas, sem precisar fazer parte de um grupo ou comunidade especifica. um espaço onde não precise se encaixar, ter rótulos ou regras, um lugar onde cada um possa ser cada um , respeitando o outro, dividindo expreriências, conceitos, gostos e desgostos. parabéns
Me chama a atenção que se enfatiza tanto que “Deus se enganaou quando me criou” diz alguns, mas viar e meche as pessoas voltam ao ponto inicial de sua sexualidade. Tentam varias formas e jeitos de sexualides, mas se satisfazem realmente no retorno a sua “vidinha”, como dizem alguns.
Parabens pela matéria. Nos mostra que a liberdade sexual esconde uma armadilha chamada insatisfação, que dessa forma nunca será saciada.
Valeu Dennis, conhecia já a Muriel. Alias o Laerte é amigo da familia e não é de hoje que ele uso acessorios femininos (tem até a brincadeira com isso no Los 3 Amigos numero um; “viado no, transformista” hehehe).
Me incomoda é a postura da midia que não consegue ver alem das roupas e o fato é que o Laertão só aparece na midia ultimamente para falar disso. Pra mim é meio que nem entrevistar o Nietzsche e ficar perguntando se o bigodão não atrapalha na hora de tomar sopa saca?
[...] A era do pós-gênero? via CartaCapital Relatos de quem recusa as definições tradicionais de homem-mulher, [...]
Parabéns Cynara ! Como é importante essa sua matéria, deveria ser lida por todos aqueles que pretendem a educação. Li a Judith Buttler que fala sobre a heterossexualidade compulsória em seu livro Problemas de Gênero e você conseguiu num artigo resumir tudo.Excelente trabalho.
A sexualidade e a identidade humana são muito complexos. Não se nasce homem ou mulher, nascemos machos e fêmeas. O gênero é uma construção. O gênero tem a ver com nossa identificação individual.
Acho que isso está um pouco distante das pessoas que vemos no dia-a-dia. Está muito mais nas TVs e cinema do que na vida real. Agora, o que se vê bastante e que também sempre foi patrocinado por tv e cinema é a avalanche de lésbicas “instantâneas” (adolescentes que vêem exemplos glamourizados na tv e cinema e acham bonito), fenômeno que tem uma marca de ideologia feminista bem evidente. Não acho que para desrotular as pessoas esse seja o caminho.
Esse artigo me faz lembrar os Dzi Croquettes nos anos 70, que em seus espetáculos tinha como temática: “nem homem, nem mulher, nem homossexual…somos gente.” Acredito que é uma discussão antiga que não tinha espaço entre a moral e os bons costumes de 50 anos atrás.
[...] A era do pós-gênero – Excelente reportagem da Carta Capital By estrelatatyane Olá pessoal, Segue relevante reportagem que problematiza as condições de gênero que não se enquadram nas delimitações que temos hoje em dia e levanta a problemática de um tempo no qual o conceito de “pós-gênero” começa a tomar força. Boa leitura Link da reportagem: /destaques_carta_capital/a-era-do-pos-genero-2 [...]
Excelente matéria, Cynara, amplia com limpidez total a nossa compreensão de um tema tão dificil de abordar de maneira preciso e pontual , vocë conseguiu isso.Sou da geração dos estudos de genero, anos 80, até quase agora só se avançava mesmo até alí.Essa possibilidade de não ser nem isso nem aquilo podendo trazer em si todos os aspectos disso e daquilo constitui uma escolha, libertadora!
Os gêneros degeneraram-se e isto é muito bom, nos faz lembrar que antes de sermos hétero,homo,bi ou trans somos antes de tudo eminentemente e tão somente indivíduos sexuais.
Muito bom! É uma pena saber que não vou viver num mundo livre de tais rótulos.
Em tempos tão posteriores a toda sorte de pensamento (pós-político, pós-religioso, pós-cultural), vejo que cada vez mais pessoas optam pela ideia de adentrar no mundo dos “caminhos sem-volta”. Não acho que se trate de julgar as decisões alheias, mas inserir opiniões acerca de uma polêmica criada por polemistas, senão questionar pais que, sabendo viverem em uma sociedade padronizada, preferem imputar à(o) filho/a – vejam o tamanho do problema, os pais querem tanto aparecer na mídia, porque acham que, ao fazer diferente, estão fazendo um bem, que sequer se sabe se o bebê nasceu com pênis ou vagina – uma decisão que eles têm como certas para si, mas que não necessariamente serão adotadas por suas crias, quando adquirirem cognição e acharem o que é melhor para si. Ser pai, ser mãe, não é passaporte para agir de forma arbitrária em relação a quem não tem condições de fazer suas próprias escolhas. Em 1936, Chaplin já citava os tempos modernos; hoje, neste aspecto, penso que são piores.
Olá a tod@s, boa noite. Não é por nada, não, mas de tão difuso, tudo acaba ficando muito confuso. Aponta-se em várias direções a respeito da sexualidade humana, que me causa um certo espanto a facilidade com que se associa repúdio à homofobia com apoio a transmutações entre homens, mulheres e até quem não se define. Vivemos tempos em que é crescente a garantia de direitos civis a homossexuais, travestis, transexuais, e combate a crimes cometidos contra indivíduos que preferem adotar orientações distintas da que, aqui, vou classificar como “oficial”. A questão é que enquanto se dá a celebração em torno de direitos assegurados e violência reprimida, o bom senso fica de lado. Na PUC-Rio, por exemplo, um travesti reclamou porque constava da lista de presença seu nome biológico, não seu nome social. A seguir este curso, aos poucos escasseará o debate, tão necessário quanto a sociedade lutar para que a Justiça reconheça possível(is) cônjuge(s) e filho(s) e os crimes sejam tipificados.
Não adianta não concordar, se for mulher e tiver uma cistite, terá que falar ao médico que ela é uma mulher. Se for um caso de doença na prostata, terá que confessar ao doutor que é homem. Quando nacemos, ou somos X – Y ou X – X. Como o adulto gosta de ter prazer no sexo é outra coisa. Homem sempre tem: Genitália masculina, testículos, próstata, pomo-de-adão, gametas masculinos (espermatozóides), células somáticas com cromossomos x-y, pêlos na face e no tórax.
Mulheres sempre tem: Glândulas mamárias produtivas, genitália feminina, trompas de falópio, ovário, útero, óvulos, células somáticas com cromossomos x-x.
Interessante a reportagem,contudo falta algo,o quê?Uma crítica ao preconceito religioso ou secular que impera e continuará imperando na maioria dos ORDINÁRIOS que se supõem normais e tomam pro “normal” a desnaturalização dos instintos humanos e pressupõem a normalidade como casar-se,procriar,ter netos e compor uma família.Isso é invenção idealista do judaísmo que procriou no cristianismo e o secular.Não somos monogamicos,fiéis,nem até que a morte separe por instinto,ter ao casamento como o normal é receita para neurose travestida de falsificações.Por sofrer tanto das restrições auto-impostas,”normais”jamais gostarão de conviver com os felizes que ousam ser quem são,sempre únicos e além de rótulos,esculturas de si mesmos,não são de nenhum rebanho,a propósito,rejeito listas patéticas e modinhas passageiras do pensar em inglês,é uma língua fácil de criar rótulos toscos s/ profundidade filosófica,ñ duram,são só modismos linguísticos auto-fágicos,pensa-se melhor em línguas latinas.
Bacellar, nesse blog o Laerte tem várias tiras sobre o tema. Vale a pena fazer um imersão e ir lendo desde o começo, ou ir de pouco em pouco mesmo:
Abraço
O mundo realmente seria mais feliz sem certos rótulos…
Eu estou inebriada com a qualidade deste texto. A gente se acostuma a encontrar tanto absurdo por aí, que quando acha esse tipo de coisa fica até boba!
Parabéns pelo maravilhoso tratamento dessa questão que deixa muito jornalista zonzo!
Um grande abraço!
Eita Laertão…um dos melhores artistas do Brasil e só aparece na midia pra falar de “crossdressing”. Queria ver ele falando de arte, filosofia, quadrinhos…mas ficam só nessa tecla do “crossdressing”…Alias não entendo pq o Laertão quer fomentar a questão dos generos e do “estreitamento comportamental” que essa divisão gera atraves da moda inves de utililizar sua arma mais poderosa que é o traço. Mas com gênio não se discute deve ter lá seus motivos…
E por que eles teriam que criar uma “identidade própria”, se é justamente disso que eles fogem?
Pois é…se a questão não é genêro, pois deu a entender que genero é “coisa criada” por humanos para humanos, penso então, o por que os “sem generos” não criam uma identidade propria. Por que utilizando a “coisa criada” para se expressar como diferentes percebe-se como sem identidade propria para suas ideias.
Interessante seria aprender com o NEMOS…que tem sua identidade propria (pelo menos na adolecencia).
31.10.2011
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