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Sociedade

Rio de Janeiro

A 1ª morte da ocupação no Complexo da Maré

por Redação — publicado 13/04/2014 11h43
Segundo o Exército, homem de 18 anos atirou contra os soldados. Segundo moradores, ele estava chegando para trabalhar
Fernando Frazão/ Agência Brasil
Complexo da Maré

Homens do Exército fazem patrulha no Complexo da Maré. Quando a Copa do Mundo acabar, a ocupação também será encerrada

Demorou uma semana para que a ocupação militar no Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte do Rio de Janeiro, produzisse sua primeira morte. A vítima foi identificada como Jeferson Rodrigues da Silva, de 18 anos, conhecido pelo "Parazinho".

Não por coincidência, a morte provocada pelos militares do Exército segue o mesmo padrão de ocorrências nos quais os envolvidos são também militares, mas policiais. De acordo com o Exército, Jeferson trocou tiros os soldados. Segundo moradores do local ouvidos pelo jornal Extra, Jeferson era empregado de um lava jato e chegava para trabalhar na hora do ocorrido.

De acordo com nota divulgada pelo Comando Militar do Leste, por volta das 8h uma patrulha motorizada se deslocava pela Avenida do Canal quando dois homens, “ao se deparar com a tropa, tentaram se evadir” e fizeram disparos de armas de fogo contra a patrulha. Na troca de tiros, feita “dentro do princípio da proporcionalidade” segundo o Exército, o homem identificado como “Parazinho” foi atingido e morreu no local. O outro homem conseguiu fugir com os armamentos.

A Força de Pacificação diz ter prestado os primeiros socorros e acionado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além de ter preservado o local para a perícia, que começou por volta das 10h30. Junto de “Parazinho”, diz o Exército, foram encontrados um rádio comunicador e três cápsulas calibre 9mm.

Após a morte de Jeferson, moradores realizaram um protesto e tentaram fechar a Linha Amarela, que passa em frente ao complexo de favelas. A Polícia Militar conteve a manifestação e prendeu duas pessoas.

Os quatro soldados envolvidos na morte de Jeferson prestaram depoimento no 21º DP, em Bonsucesso, subúrbio do Rio. Eles não serão afastados, segundo informou a assessoria de imprensa da “Força de Pacificação” ao site Terra. “Eles voltaram para o grupo de comando e vão continuar normalmente em suas funções”, afirmou a assessoria.

De acordo com o Ministério da Defesa, a “Força de Pacificação” no complexo da Maré, feita por homens do Exército, da Marinha e da PM, vai ser mantida até 31 de julho, data posterior ao término da Copa do Mundo.