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Os benefícios do consumo de café e cacau

por Paulo Yokota — publicado 24/03/2014 09h15, última modificação 24/03/2014 09h19
Pesquisadores estão perto de confirmar que a cafeína ajuda no combate ao desenvolvimento de doenças como Parkinson e Alzheimer

Há muito tempo existem conhecimentos empíricos relacionados aos efeitos da cafeína sobre os seres humanos, principalmente os encontrados no café e no cacau, mas também em mais de 60 plantas utilizadas normalmente para a produção de chás.

No Japão havia uma história curiosa. Uma instituição fornecia pareceres de acordo com a vontade do freguês: 50% ressaltavam as qualidades do café e outros 50% apontavam as inconveniências. O que se sabe é que seus efeitos são diferenciados sobre as pessoas, havendo as que apresentam problemas de sono depois do seu consumo estimulando as atividades mentais. Em outras pessoas provocam o aumento dos batimentos cardíacos, ansiedade, depressão, náuseas e até tremores entre alguns inconvenientes.

Muitos estudantes brasileiros costumam usar o café para se manter despertos nos períodos que antecedem as provas escolares. Outros consomem café quando necessitam fazer esforços especiais em seus trabalhos. As indicações atuais são mais promissoras para a cafeína, abrangendo as prevenções de doenças de Parkinson e de Alzheimer.

Um trabalho científico publicado pelo Nature Neuroscience neste ano constatou que uma dose de pelo menos 200 miligramas de cafeína diária, a quantidade de cerca de duas xícaras de café, aumenta a capacidade das pessoas converterem lembranças de curto prazo para as de longo prazo. Um estudo de 2007 descobriu que beber café pode ajudar as mulheres mentalmente saudáveis a reter habilidades da recuperação de palavras, conforme relatado por Kristen Hallam em artigo publicado no site da Bloomberg.

Estes e muitos outros indícios estão estimulando laboratórios de produtos farmacêuticos, como a Kyowa Hakko Kirin Co., do Japão, que obteve no seu país a aprovação preliminar de um remédio denominado Nouriast. O objetivo é realizar a prevenção para a doença de Parkinson. Mas ainda não houve a aprovação fundamental, da Food and Drug Administration dos Estados Unidos. Em novembro último eles iniciaram os testes com 600 pacientes norte-americanos e de sete outras nacionalidades. O laboratório Merck & Co. dos Estados Unidos ainda não chegou a resultados positivos nesses testes. As dificuldades principais são identificar os seus efeitos colaterais de suas drogas.

Os laboratórios estão se empenhando em remédios voltados para o Alzheimer. A melhoria da memória com a cafeína parece decorrer da proteção contra a destruição de células do cérebro. Bertil Fredholm é um pesquisador e professor sueco que trabalha sobre os efeitos da cafeína há 40 anos no Karoliska Institute, em Estocolmo. Ele elaborou um research review com o professor Jiang Fan Chen, neurologista e farmacologista da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, que aponta no mínimo cinco estudos sérios atualmente em andamento na área.

Jiang Fan Chen afirma que a cafeína tem um grande benefício para a cognição e mais pessoas acreditam que este é um real potencial sério que se deve explorar. Bertil Fredholm afirma que uma das razões para o desenvolvimento de uma droga é conseguir um efeito maior que a simples cafeína, sem os danos colaterais. A cafeína pode ser tomada de forma muito barata, mas pode ser aperfeiçoada segundo eles.

Para o Parkinson, uma doença ainda sem cura que prejudica progressivamente o movimento, a coordenação do corpo e da fala, os desenvolvedores das drogas estão se concentrando no caminho pela qual a cafeína atinge locais na área profunda do cérebro, chamado gânglios basais, que desempenha um papel fundamental no movimento.

A Kyowa Hakko Kirin não está sozinha nestas pesquisas. Diversas empresas europeias, a belga UCB SA e a finlandesa Biotie Therapies Oyj of Turku, também possuem pesquisas nos seus estágios finais, como a inglesa Vernalis Plc. Existem empresas como a Heptares Theraputics trabalhando para conseguir uma cafeína mais limpa, como também os pesquisadores ligados à Welwyn Garden City.

Com este volume de pesquisas sérias, tudo indica que no futuro próximo resultados mais alvissareiros poderão ser alcançados, para consolo da população que está se tornando cada vez mais idosa e sujeita a doenças como Parkinson e Alzheimer. E, como o chocolate também contém cafeína, existem outras opções agradáveis que permitem o seu aproveitamento sem o consumo de açúcar, enquanto se espera pelas drogas que concentrem seus benefícios, sem efeitos colaterais danosos.

Para o Brasil, um grande fornecer mundial de café e cacau, as notícias não poderiam unir melhor o útil ao agradável.