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Suíça testa novo tratamento contra o câncer

por Deutsche Welle publicado 06/02/2015 06h11, última modificação 06/02/2015 09h31
Abordagem de cientistas suíços chama a atenção por questionar métodos convencionais. Técnica consiste em dar mais oxigênio aos tumores, em vez de retirar, para evitar seu crescimento
Agência Brasil
Pesquisa contra o Câncer

Expectativa é de que 70 pacientes sejam submetidos ao tratamento

O oxigênio é o ponto central de um estudo de combate ao câncer que cientistas estão desenvolvendo na Universidade de Zurique. Eles aplicam oxigênio nos tumores ao invés de reduzir a quantidade, como acontecia em terapias anteriores.

Os pesquisadores usam a molécula química ITPP (Inositol tris pirofosfato), com o intuito de normalizar os vasos sanguíneos modificados pelo tumor, elevando a sua oxigenação. Segundo o diretor do estudo, Pierre-Alain Clavien, depois começa-se com a quimioterapia.

“Em testes com animais, observamos que a quimioterapia é muito mais eficaz. Se combinarmos os dois métodos, conseguimos resultados muito bons”, explica.

Tumores no pâncreas, fígado e intestino grosso estão entre os tipos mais perigosos. Se a doença está em fase inicial, o paciente geralmente pode ser operado. Se o tumor já está avançado, o procedimento cirúrgico já não é mais possível, e é necessária radioterapia ou quimioterapia.

Esses tratamentos levam à inibição da formação de vasos sanguíneos, o que reduz o oxigênio disponível no tumor. Esse é até agora um método mais comum para fazer com que o tumor cresça mais lentamente.

Segundo Përparim Limani, do centro de doenças hepáticas e pancreáticas do Hospital Universitário de Zurique, estudos recentes mostram que tais métodos podem levar exatamente ao efeito contrário.

“A partir de um determinado tamanho de tumor, o fornecimento de oxigênio através do sangue não é mais suficiente para alimentá-lo. Forma-se a chamada hipóxia, ou seja, a redução do teor de oxigênio. Essa hipóxia altera o metabolismo do tumor e, assim, o seu comportamento.”

Os tumores ficariam então mais agressivos e iniciariam uma migração pela corrente sanguínea e vasos linfáticos para os órgãos onde existe mais oxigênio. Neste ponto, ocorre o perigo da metástase, ou seja, o início de uma nova formação tumoral a partir de outra.

Segundo Hellmut Augustin, professor do Centro Alemão de Pesquisas sobre o Câncer, o maior desafio ainda é a metástase. “O tumor primário acessado pelo cirurgião é geralmente removido. Mas o que leva na verdade à morte é a metástase, a fase que menos entendemos.”

Em janeiro deste ano, a autoridade reguladora de medicamentos na Suíça (Swissmedic) e a Comissão de Ética Cantonal de Zurique aprovaram o estudo do método envolvendo o ITPP. A expectativa é que 70 pacientes sejam submetidos ao tratamento. O objetivo inicial é determinar a dose ideal para os pacientes e testar a tolerância.

“Além disso, nós esperamos tirar as primeiras conclusões sobre o efeito do ITPP nos tumores”, afirma Limani. Se os testes com o tratamento forem bem-sucedidos, calcula-se que a autorização para a comercialização possa ser dada em um período de três a cinco anos.

A Universidade de Zurique havia definido a nova abordagem, no mês de janeiro, como “uma maneira radicalmente nova de combate ao câncer.”

Os cientistas alemães, no entanto, são cautelosos. “Ainda é preciso verificar se no final o método funciona melhor ou não. A conclusão de que é uma mudança radical é um pouco exagerada. De qualquer forma, se trata de uma abordagem interessante”, opina Augustin.

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