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Método combate a obesidade infantil com brincadeiras

por Paloma Rodrigues — publicado 18/04/2013 14h06, última modificação 18/04/2013 14h06
Pesquisa mostra como atividades lúdicas comuns da era pré-video-game e internet tiveram resultado em grupo de crianças
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Segundo pesquisa, o combate à obesidade infantil é mais efetivo entre crianças que praticam atividades lúdicas do que regime e exercícios regulares. Foto: Istockphoto.com

Pular corda, girar bambolê, gritar “Marco Polo!” e ir à caça dos amigos na piscina. Dentro das brincadeiras mais comuns e conhecidas da infância pode estar a chave para o combate ao risco cardiovascular. “As brincadeiras, sem bem conduzidas, têm sim capacidade de reabilitar um coração”, diz a pesquisadora do programa de pós graduação em saúde coletiva da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Isabela Giuliano, co-autora de um estudo que propõe atividades lúdicas combinadas com orientação nutricional para combater a obesidade infantil.

A complexa questão que envolve a obesidade é seu caráter crônico. Um tratamento concentrado em determinado período de tempo não soluciona o problema; é preciso criar uma rotina que altere os hábitos de maneiraviável e perene.  A maioria dos estudos de reabilitação cardíaca é feita com uma base formal, a partir de treinos de corrida e bicicleta. Eles geram resultado, mas sua principal falha, segundo Isabela, é que são abandonados pela criança em poucos meses.

Como estimular, então, os pequenos a fazer atividades físicas?, foi a pergunta que norteou o trabalho. A pesquisadora responde: “Sem dúvida alguma, a melhor forma de estimular uma criança a fazer exercícios é por meio da brincadeira, que a tornará uma criança ativa e, consequentemente, um adulto ativo.” Por meio de um treino com base em brincadeiras se descobriu que também é possível conseguir a regressão do entupimento das artérias - a evolução desse entupimento pode ocasionar um infarto.

A utilização de meios lúdicos para combater a obesidade infantil e o risco cardiovascular ainda é pouco utilizada no Brasil. Essa pesquisa teve como ponto de partida um trabalho de doutorado Lisiane Poeta, também da UFSC, e contou com parcerias de pesquisadores da USP e da Universidade do Porto.

Participaram do estudo 32 crianças entre 7 e 10 anos, divididas em dois grupos. Um deles recebeu apenas a orientação tradicional, com recomendações de dieta balanceada e realização de exercícios físicos. O outro grupo participou das atividades elaboradas pelos pesquisadores, que eram os treinos montados em cima de brincadeiras. Ao final do estudo, o segundo grupo apresentou uma redução significativa no índice de massa corporal, colesterol total e LDL colesterol, enquanto  o grupo controle apresentou aumento significativo no perímetro abdominal, glicemia e colesterol total, dentre outros índices negativos.

Os treinos passavam por danças, atividades na cama elástica e atividades que lembravam práticas esportivas – jogos com bola que funcionavam como um jogo de vôlei, por exemplo, mas adequado às limitações devido à idade das crianças -, além de uma vez por semana participarem de brincadeiras na água, como a conhecida Marco Pólo, no qual um jogador de olhos fechados tem que encontrar os amigos na piscina apenas pelo som de suas vozes e de seus movimentos na água.

A média era de três brincadeiras por dia e o acompanhamento, feito três vezes por semana. Os exercícios tinham duração de 60 minutos: alongamento e aquecimento por 10 minutos, a parte principal com atividades físicas aeróbicas, que duravam por volta de 40 minutos e as atividades chamadas de volta à calma, por 10 minutos. Essa última atividade é leve e voltada para o pós-treino. “É importante que a criança não pare subitamente de fazer exercícios, principalmente quando estes foram extenuantes”, explica. Para que isso não aconteça, é possível propor um alongamento ou atividades com balões, fitas e bambolês.

Segundo os pesquisadores, os materiais que serviram de apoio para a pesquisa são facilmente encontrados - o que permite que ele seja aplicado em qualquer lugar. “Bons professores de educação física conseguirão colocá-lo em prática em suas escolas. As atividades são fáceis e baratas. É só haver um planejamento”, afirma Isabela. “É preciso enfatizar que o entupimento das artérias é reversível. Uma pessoa com problema cardíaco não está condenada. Descobrir isso na infância não condena aquela criança a nada, é só uma questão de mudanças de hábitos.”

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