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Mente jovem e sadia

por Rogério Tuma publicado 12/04/2013 16h51, última modificação 12/04/2013 16h51
Exercitar o cérebro com atividades intelectuais pode atrasar o aparecimento do Alzheimer

Quanto mais usar menos vai faltar. Utilizar o cérebro frequentemente com atividades intelectuais pode atrasar o aparecimento da doença de Alzheimer.

Um estudo publicado na revista Neuron em março, feito pelo doutor Dennis Selkoe do Brigham and Women’s Hospital, comprova que receber estímulos de um ambiente rico em informações e atividades novas por tempo prolongado têm efeitos positivos na prevenção da doença de Alzheimer. Causa mais comum de perda de memória entre os idosos, a doença é causada pelo acúmulo de uma proteína nos neurônios chamada beta-amiloide, que bloqueia a comunicação entre eles e acaba por matá-los.

No estudo, os cientistas colocaram ratinhos em ambientes com vários estímulos e depois avaliaram as mudanças anatômicas em seu cérebro. Descobriram que o ambiente estimulante ativa uma via relacionada à adrenalina, que reduz a formação de beta-amiloide na região do hipotálamo, uma região do cérebro responsável pela memória. O mecanismo protetor foi mais eficaz em ratos jovens e de média idade, o que sugere que humanos que são mais estimulados intelectualmente durante a infância e juventude e, portanto, recebem uma experiência de vida mais rica correm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer e, assim, conseguem manter por mais tempo a memória intacta.

Um bom estímulo, pelo menos para os idosos, pode ser o uso de computadores e videogame. Em um estudo da Universidade da Carolina do Norte, os doutores Jason Allaire e Anne McLaugh-lin entrevistaram 140 indivíduos com mais de 63 anos e pesquisaram seu índice de satisfação com a vida. O estudo descobriu que 60% deles jogavam videogames e concluiu que o hábito os deixavam mais felizes. Entre os pesquisados que tinham em média 77 anos, 35% jogavam pelo menos uma vez por semana, os que não jogavam apresentavam emoções mais negativas e risco maior de desenvolver depressão.

Se os exercícios cognitivos não funcionarem, mesmo assim a medicina busca uma solução para o cérebro se regenerar, vide um estudo da Universidade de Yale também publicado na revista Neuron de março, feito pelo doutor Stephen Strittmatter e colaboradores. Nesse estudo, os pesquisadores conseguiram transformar um cérebro maduro e estável em um cérebro jovem e plástico, bloqueando apenas a ação de uma proteína. O cérebro maduro possui conexões mais estáveis e, portanto, consegue manter gravados padrões de movimento e de comportamento além da memória dos fatos. O cérebro jovem, por sua vez, consegue aprender melhor coisas novas e se regenerar melhor e mais rapidamente. Os cientistas descobriram que um receptor na membrana do neurônio chamado Nogo1 é o responsável por essa plasticidade do cérebro jovem. Quando estimulado, promove a formação de novas conexões entre os neurônios.

O estudo do doutor Strittmatter foi feito em ratos adultos com cérebro maduro e bloqueou a ação do receptor Nogo1. Ao fazer isso, o pesquisador conseguiu transformar o cérebro maduro em jovem novamente, permitindo que o rato adulto voltasse a formar a mesma quantidade de conexões que o cérebro de um rato jovem. Esse estudo pode permitir que cérebros adultos possam reverter as lesões cerebrais na mesma velocidade e eficiência que os cérebros de crianças, tornando mais fácil a recuperação de uma área lesada, em caso de ocorrer um acidente vascular, por exemplo.