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Médicos fazem prova e comentam polêmica sobre vinda de estrangeiros

por Agência Brasil publicado 25/08/2013 16h47, última modificação 25/08/2013 17h35
Boa parte dos profissionais que fizeram a prova neste domingo em Brasília era de brasileiros que foram estudar medicina em Cuba
Agência Brasil
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A espanhola Amaia Foces, já trabalhou 12 anos na Inglaterra e quatro anos na Espanha, e fez hoje o Revalida

Dos 1.772 médicos formados no exterior inscritos para participar do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), 148 optaram por fazer as provas da primera fase em Brasília (DF). A aprovação no exame é obrigatória para profissionais que se formaram em outros países e querem trabalhar no Brasil. Na capital federal, a prova acontece no campus da Universidade de Brasília (UnB), onde alguns candidatos e vendedores ambulantes começaram a chegar por volta das 7h. Os portões foram fechados às 8h e, até as 8h30, nenhum inscrito havia chegado atrasado.

Aplicado desde 2011, este ano o Revalida atraiu maior atenção devido à polêmica surgida com a iniciativa do governo federal de autorizar profissionais de outros países a atuarem em regiões onde faltam médicos na rede pública de saúde sem se submeterem à prova. Além disso, o número de candidatos este ano (1.851) foi mais de duas vezes maior do que em 2012, quando 922 pessoas se inscreveram. E o número de cidades onde ocorrem as provas quase dobrou, passando de seis capitais a dez: Brasília (DF); Campo Grande (MS); Curitiba (PR); Fortaleza (CE); Manaus (AM); Porto Alegre (RS); Rio Branco (AC); Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), além de São Paulo (SP), onde foi registrado o maior número de candidatos inscritos (424).

“Eu diria que o nível [de dificuldade] da prova é bom, nem fácil, nem tão difícil. O complicado mesmo é que ela é cansativa, principalmente por ser feita em um único dia”, comentou Daniel Santos Rodrigues Martins, formado em Cuba há três anos. Ele se submeteu à prova em 2011 e, hoje, acompanhava um grupo de amigos que fazem o exame.

Já atuando profissionalmente, Martins diz não ter enfrentado grandes dificuldades para colocar em prática, no Brasil, o que aprendeu em Cuba. “O ensino lá é muito competente. Hoje, com a globalização do conhecimento, o ensino está bastante uniformizado no mundo inteiro. Em Cuba ou aqui, as referências bibliográficas são basicamente as mesmas e, no caso das especialidades, há parâmetros internacionais”, acrescentou Martins, que disse não ver problemas em médicos estrangeiros contratados para atuar em regiões carentes do país por meio do Programa Mais Médicos serem liberados de revalidarem seus diplomas.

“Acho que seria justo e que não haveria problemas em submetê-los à prova, mas é preciso lembrar que eles estão vindo em caráter emergencial. Não que este seja o melhor caminho para resolver o problema da saúde, mas, além de investimentos na infraestrutura e da criação de uma carreira [de Estado] para incentivar os médicos a irem para áreas de difícil acesso, eu acredito que são necessárias medidas emergenciais, pois há pessoas doentes precisando de atenção e é difícil encontrar quem queira ir para onde elas estão”, disse Martins.

Também formado em Cuba, Luiz Fernado Farias Bisco regressou ao Brasil há poucos meses e faz o Revalida pela primeira vez.

“Fui para Cuba atraído pelo reconhecimento mundial da qualidade do sistema de saúde cubano e pela importância que, lá, se dá à atenção primária. Fui indicado por um partido [político], fiz a prova na embaixada cubana e me mudei”, contou Bispo, para quem a polêmica em torno da vinda de médicos estrangeiros e a liberação desses de fazerem o Revalida é fruto de uma “briga política”.

“Enquanto países europeus como Portugal pedem que os médicos cubanos permaneçam trabalhando por lá, alguns, no Brasil, revidam a essa iniciativa”, argumentou Bispo, que também disse não vêr incoerência alguma entre ter que se submeter ao Revalida para poder exercer a medicina no seu próprio país, enquanto profissionais estrangeiros contratados pelo Programa Mais Médicos são dispensados do exame.

“Uma coisa é a revalidação dos diplomas. Outra é o programa federal. Se o país precisa de médicos, se há lugares onde não há profissionais, eu não vejo nenhuma injustiça nisso. Não creio que seja a solução, mas é uma iniciativa correta, em vista do caráter emergencial. Se formos falar de prova, aqui ninguém que se forma faz um exame para ver se de fato está apto a trabalhar. Ao contrário do que acontece em Cuba, onde todos têm que fazer um exame de ordem", disse Bispo.

Já para Mayara Vaz Davico, que se formou na Argentina, terra natal de seu pai, o mais correto seria que todos os profissionais formados no exterior fizessem o Revalida, inclusive para contornar qualquer polêmica. “Até porque, se depois dos três anos de contrato algum deles quiser ficar no país, vai ter que fazer e revalidar o diploma”. Mayara diz que tentou, mas não conseguiu se inscrever no Programa Mais Médicos. “Sempre aparecia que a inscrição não tinha sido confirmada. E agora eu fico sabendo que há cubanos que sequer precisaram se inscrever indo para uma cidade a 10 quilômetros de onde eu vivo e onde queria trabalhar."