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O Hospital São Paulo é estratégico para o estado

por Soraya Smaili publicado 02/07/2015 04h05
A maior cidade do País sofre com a falta de regulação entre os hospitais do município e do Estado e a ausência de atendimento coordenado
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Na semana que passou, o Hospital São Paulo (HSP), hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), recebeu bastante atenção da grande mídia. Desta vez, porém, não foi para falar de uma nova técnica cirúrgica, de um novo tratamento para o câncer, de avanços na área de transplantes, no tratamento de queimados, de distúrbios do sono ou, ainda, da busca de novos fármacos ou biomarcadores. 

O HSP veio à imprensa com bastante força, a partir do movimento de paralisação dos médicos residentes, em uma assembleia com mais da metade da categoria presente. Há poucos segmentos da sociedade que conseguem mobilizar-se de forma focada e organizada.

A greve dos médicos residentes da Escola Paulista de Medicina da Unifesp trouxe à tona várias questões que merecem ser abordadas. A primeira delas diz respeito ao sistema de saúde, não só da cidade, mas também do Estado de São Paulo. A situação é complexa, a demanda é grande e os investimentos públicos precisam ser maiores. A segunda questão diz respeito ao sistema de urgência e emergência de São Paulo. A maior cidade do País hoje sofre com a falta de regulação entre os hospitais do município e do estado e a fatal ausência de um fluxo de atendimento eficiente e coordenado. Esses problemas nos fazem pensar se há de fato falta de hospitais ou se há uma questão de gestão no atendimento e nos leitos.

Além disso, uma das maiores questões do HSP atualmente diz respeito ao seu financiamento. Por ser o hospital universitário de uma Universidade Federal, tem sido insistentemente apresentado como uma instituição federal por diversas autoridades estaduais, que salientam que a responsabilidade é do governo federal. Porém, na prática, o HSP é muito mais um grande hospital geral da megalópole que precisa do seu pleno funcionamento. O HSP é um dos quatro hospitais de referência, que fornece atendimento aberto para urgência e emergência, e recebe pacientes de todo o município, bem como de todo o Estado. Porque atende a toda a população, o HSP depende particularmente do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo uma das poucas instituições com capacidade de atendimento de alta complexidade.

O HSP precisa das verbas destinadas a hospitais universitários federais. Ao mesmo tempo, como sua atividade preponderante é a de assistência para a população de São Paulo, é necessário um olhar especial do seu gestor local, que é o governo do Estado de São Paulo. Por isso, precisamos que os recursos de incentivos sejam aumentados, para que possamos atender melhor.

O HSP e as Escolas a ele ligadas esperam um olhar atencioso por parte de todos – as instâncias do poder federal, estadual e municipal –, mas em especial do governo do Estado de São Paulo, já que o HSP tem prestado um importante serviço ao Estado. Esse olhar permitirá uma melhor composição de recursos para que sejam suficientes para o atendimento com dignidade e qualidade. Não devemos mais buscar culpados, devemos, sim, trabalhar para atingir os objetivos maiores e que tanto servirão à sociedade.

* Soraya Smaili é reitora da Universidade Federal de São Paulo.

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