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Hepatite C: qual a sua cara?

por Redação Carta Capital — publicado 04/08/2011 19h49, última modificação 04/08/2011 19h49
Grupo vai distribuir materiais para estabelecimentos de risco, como estúdios de piercing e tatuagem, salões de beleza, clínicas e hospitais

A hepatite C, doença silenciosa que atinge aproximadamente 4 milhões de pessoas no Brasil, torno-se tema de preocupação do Ministério da Saúde desde o início do mês passado, quando o órgão anunciou mudanças para o tratamento da patologia. Em julho, foi aprovada uma alteração no protocolo de tratamento que aumentou para 72 semanas o prazo de fornecimento de remédios para a doença - antes eram apenas 48.

Nesta quinta-feira 4, quatro organizações não-governamentais anunciaram em conjunto uma campanha nacional de combate à moléstia. O objetivo é alertar para a necessidade de realizar o teste de detecção da hepatite C, principalmente para as pessoas que compõem as faixas etárias de maior risco, que vão dos 40 aos 65 anos e dos 65 em diante.

"A hepatite C não se manifesta e surpreende pela gravidade quando constatada tardiamente. A prevenção é essencial no combate: quanto antes soubermos da doença, melhor conseguimos controlá-la e, até, curá-la. A maneira de descobrir é fácil, o tratamento é oferecido pelo governo e a vida segue normal quando o acompanhamento for correto”, diz Dr. Evaldo Stanislau Affonso de Araújo, médico infectologista, responsável técnico da campanha.

Com a campanha “Hepatite C: qual a sua cara?”, serão distribuídos materiais específicos para cada tipo de estabelecimento de risco, como estúdios de piercing e tatuagem, salões de beleza, clínicas, hospitais e outros. Com o médico na campanha estão trabalhando o  Grupo Otimismo, do Rio de Janeiro; o Grupo Esperança, de Santos, SP; o GADA, de São José do Rio Preto, SP;  e C Tem Que Saber C tem que Curar, de São Manoel, SP.

Além dessasONG's, a ação conta com o apoio de mais de 90 organizações da sociedade civil espalhadas pelo Brasil, que prestam auxílio aos portadores e familiares. O evento também vai ao encontro do esforço mundial da Organização Mundial da Saúde no combate às hepatites – o dia 28 de julho foi o I Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, data criada por iniciativa do Brasil junto ao Conselho da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a possibilidade de fazer o exame para constatação da doença e também o tratamento. Novas e modernas drogas para tratamento estão sendo lançadas e o próprio Ministério da Saúde atualizou suas diretrizes sobre a Hepatite C. "Tudo tem contribuído para disseminação do conhecimento da doença, mas, o conceito da vulnerabilidade, especialmente aos mais idosos, ainda precisa ser enfatizado", diz o doutor.

Além da campanha nacional, a data marca o lançamento de um portal na internet, que tem como meta a educação a distância de profissionais de saúde em geral e aproximar médicos da sociedade civil, fomentando ações de orientação sobre hepatites virais. O www.portaldashepatites.med.br entra no ar a partir desta quinta-feira, com conceito de rede social, para que o esclarecimento sobre a prevenção e tratamento da Hepatite C (e de outros tipos também) seja universal e de fácil acesso.

Hepatite em números

Estima-se que haja entre seis a sete vezes mais infectados por Hepatite C do que por HIV. O exame de detecção da doença é fácil, o controle absoluto é possível a muitos e a saúde pública oferece tratamento.

A hepatite A é a mais comum no País e, por isso, o Ministério da Saúde prioriza a sua vacinação, sendo de maior incidência de hepatite A é entre crianças e adolescentes. Um dado alarmante é que nas regiões Norte e Nordeste têm a maior incidência de todos os tipos de hepatite juntos.

Em 2009, eram 14 mil pessoas contaminadas com hepatite B no País. Já em 2010, a taxa diminuiu para 12 mil infectados em função da vacinação.  A hepatite B tem a maior taxa de contaminados entre os adultos, faixa etária de 35 a 45 anos.
Já a hepatite C não possui vacina. Entre 1999 e 2000, o Brasil registrou 69.952 casos de hepatite C. Já entre 2000 e 2010, houve uma queda para 14.874 por causa da prevenção.

Em 2009, foram registradas 1879 mortes pela hepatite C. Ano passado, o número subiu para 1932 casos. Metade dos casos de hepatite C estão em São Paulo. Mas o motivo é porque a capital paulista possui mais informações, mais serviços e facilidade para detectar entre as pessoas, o que não ocorre em todo o País. Ou seja, se melhorar a infraestrutura de diagnósticos, os outros Estados brasileiros registrarão grande aumento em quantidade de casos registrados. O foco de contaminação atualmente é por meio do uso de drogas e sexo.

Cerca de 4 em 10 pessoas estão contaminas no Brasil. A Hepatite C atinge uma média de 1,4 a 2 milhões de brasileiros atualmente. Já em 2013, há uma expectativa de que 189 mil pessoas sejam tratadas.

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